O retorno de Casanova
Cheguei a este livro através do Guia de Leitura da professora Léa Mesina, de 100 autores clássicos da literatura universal. Da lista dela, cheguei aos 39. Ainda faltam 61, mas tem vários ali que não me interessam, então me contento em chegar a 50. Mas, vamos ao Casanova, de Arthur Schnitzler.
Bom, vou começar pelo fim. Ou melhor,
pelo pós-fim. Quando termina a novela (é um livro em capítulo único de 115
páginas), o autor austríaco explica: fora uma ou outra menção ao passado de
Casanova, a narrativa toda é pura ficção. O livro, aliás, foi escrito em meio a
Primeira Guerra Mundial, no século XX, e Casanova viveu XVIII. Feitas essas
breves considerações, vamos à história.
O imaginário popular de Casanova
contemporâneo, inclusive com filmes, é de um sujeito belo, gentil, cavalheiro,
que trata todas as mulheres como dama, tipo Dom Juan. Já Schnitzler resolve fazer uma paródia:
constrói um Casanova com 53 anos (a idade que o autor tinha ao escrever a
ficção), decadente, ranzinza e sem escrúpulos. Enfim, um crápula. A ideia dele
era retratar um conquistador em decadência: sem um pila no bolso, com rugas
aparecendo, uma pança saliente e assim por diante. Porém, esse “novo” velho
Casanova é um mentecapto, um patife, um salafrário tomado de vilanismo no que
se refere às mulheres. Essa é a crítica, no sentido de, de certa forma, ter me
decepcionado, pois eu não creio que um Casanova conquistador e gentil se tornaria
esse crápula por conta da idade.
Na narrativa, Casanova está fora de
Veneza, de onde fora expulso 25 anos atrás, e está se preparando para voltar.
Contudo, um velho amigo o encontra na estrada e o hospeda durante um fim de
semana, e é sobre esse fim de semana que se passa a história. Primeiro, é
revelado para o leitor que quando esse personagem era novo e conheceu sua futura
esposa, Amalia, os pais dos dois não aceitavam o relacionamento por falta de
grana. Casanova deu um jeito de fazer os pais aceitarem (inclusive traçou a mãe
de Amalia) e, em agradecimento ao feito, a própria Amalia satisfez os desejos de
Casanova, sem o seu futuro marido nem imaginar. Então, quando Casanova retorna,
Amalia está louca para se atirar nos braços dele de novo, mas ele não quer nada
com ela. O casal tem três filhas, duas pequenas e uma adolescente de 13 anos, além de uma sobrinha, Marcolina, de uns 20 anos, metida a intelectual
e tal. Obviamente, Casanova se apaixona por Marcolina, mas que o vê como um velho
e não liga para a fama dele. Além disso, ela está de caso com o tenente
Lorenzi, que tem 23 anos. Também aparece na história um marques com sua mulher, e o tenente
tem um caso com a mulher do marques (além disso, é revelado que o tenente também andou com Amalia), então, temos uma rivalidade aí: Casanova, o
antigo conquistador, de 53 anos, e Lorenzi, o jovem e garanhão duas décadas
mais novo. Está aí a história central do romance, que vou tentar resumir brevemente.
Bom, primeiro vou justificar porque Casanova é um traste nessa ficção do autor austríaco: ele simplesmente estupra a jovem de 13 anos. Ela vai lhe chamar para jantar no quarto e ele vê que ela tinha tomado um vinho e abusa dela e pede para ela não contar para ninguém! Filho da puta, mentecapto. Mas enfim, como se não bastasse, na parte mais final, o tenente Lorenzi perde toda a grana no jogo de cartas e, mais para frente, Casanova faz uma proposta: empresta o valor que Lorenzi fica devendo para o Marques – e que, por conta da dívida e dos ciúmes da mulher, não vai perdoar – desde que ele diga para Marcolina que ele quer um encontro às escuras e sem conversa com ela e, então, ao invés de Lorenzi comparecer, apareceria ele, Casanova. Lorenzi, tomado de raiva, aceita a proposta do jaguara. Eu achei que o tenente aprontaria com ele, como em uma comédia shakespeareana: mentiria para Amalia que queria se encontrar com ela, avisaria Marcolina, e faria o antigo casal de amantes se encontrarem, com Amalia achando que estava nos braços de Lorenzi, e Casanova achando que estava metendo na Marcolina. Mas não foi isso que aconteceu. Na noite em que Casanova – na mente dos outros – já tinha partido, ele retorna e tem o tão esperado encontro com Marcolina, e o momento descrito pelo autor austríaco é uma viagem que não vou me atrever a tentar descrever, apenas vou dizer que, após consumado o ato, ela reconhece Casanova. Quando ele vai pagar o dinheiro para Lorenzi, no pátio do castelo, o tenente o desafia para um duelo, mas como Casanova estava só com um casacão, eles acabam duelando pelados, e Casanova termina por matar Lorenzi e voltar para Veneza – aí não vou explicar a questão da volta dele, pois esse texto ficaria deveras longo para uma novela curta.
Bueno, o principal da história é
esse. Como já ressaltei inúmeras vezes, mantenho esse espaço apenas para isso:
resenhar alguns dos livros que leio para, no futuro, consultar o enredo
principal, pois nossa massa cinzenta é totalmente perecível.





