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Domingo, 5 de Julho de 2009

Criatividade humana

Agora que estou tendo uma aliviada nas aulas temporariamente, tenho mais tempo para pensar acerca de coisas importantes da vida, como por exemplo, a criatividade do ser humano. Existe um sem-número de exemplos de criatividade em todas as situações e manifestações da vida humana (e dos outros bichos também, como diriam os Mamonas). Por exemplo, vejo criatividade em filmes, livros, letras de música, nos gritos dos panfleteiros no centro, na forma como cada um faz para sobreviver, em jogos de futebol com os jogadores e a torcida, nos programas de televisão, nos cachorros que tentam pegar as cadelas no cio, nas cadelas tentando fugir dos cachorros, nas declarações de amor, nas cantadas, nas verdades, nas mentiras, nas brincadeiras de crianças, enfim, são infinitos os exemplo, mas é claro que não são em todas as situações que aparece a criatividade das pessoas e dos bichos. Existem músicas toscas, filmes toscos, cantadas toscas, cachorros toscos, times toscos, e por aí vai pelo infinito afora.
No entanto, lembro de um artigo, escrito por alguma professora, em algum livro, em que ela criticava a hierarquização da cultura, mas que eu transferiria, ou melhor, estenderia, para a questão da criatividade. Esclareço de cara que essa não é a minha área, nem minha especialidade, estou falando aqui apenas como um cara que acabou de chegar de um estádio de futebol após ver seu time golear o Atlético-PR por 4 a 1, que tem 9 pila na carteira que devem durar uma semana, e que está tomando o resto de um vinho barato que sobrou de ontem, numa noite de domingo qualquer.
Tanto é, que o que me fez pensar nisso tudo foi a descoberta de parte da letra daquela música “Maria, Maria”, do Molejo. Já tinha ouvido a referida música várias vezes, na rádio, na academia, na TV, mas, além do refrão, nunca tinha prestado atenção na letra. E o pior que o refrão é um desses que fica na tua cabeça o dia inteiro, mesmo que você deteste pagode. Eu, particularmente, gosto de alguns pagodes. Sempre digo que tenho o gosto mais eclético possível para música: por exemplo, acabou de tocar Gun’s no meu MP3 e começou Fernando e Sorocaba. Aquela: “Criminosa, não posso olhar dentro do seu olhar, bala de prata certa pra matar, virei seu refém e não quero escapar. Bandida, você atirou em minha direção, e acertou bem no meu coração...” e por aí vai. Mas voltando à letra da música do Molejo, como disse, eu já conhecia o refrão, porém, esses dais, indo de ônibus de um lugar para outro nessa Porto Alegre desperucada, um grupo de caras com pinta de pagodeiros, e que realmente eram pagodeiros, começaram a batucar e a cantar a “Maria, Maria”. E foi então que entendi o que a letra diz, e, confesso, achei muito criativo. Vejam vocês:

“Maria vai ter um bebê
mas eu sou estéril, ela não sabe
Uhhh que merda
Maria da Universal
Aleluia irmão
essa igreja faz milagre”.

Que cosa. Fiquei imaginando a situação. Alguém alguma vez na vida deve ter passado por isso. Pensem só: o cara estéril, a mulher não sabe, anos de casado, e ela aparece grávida e diz: “amor, olha só que coisa boa, estou grávida! Você vai ser papai!”. Dá um romance, um filme, sei lá, pelo menos uma novela mexicana! Realmente, a criatividade humana é uma coisa infindável.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Um dia quase de sorte

Tem algumas coisas inexplicáveis nessa vida. Uma delas aconteceu hoje. Estava voltando do caixa eletrônico do campus da PUC, fazendo as contas dos centavos para ver o quanto eu poderia gastar no supermercado, calculando que teria que sobrar R$4,60 para o busão de amanhã, já que irei almoçar na minha tia, e de lá irei ao Olímpico ver o renascimento do meu time das cinzas, enfim, estava pensando: “como vou almoçar na minha tia amanhã, posso comer um xis coração sem ovo e sem maionese ou uma pizza, no entanto, isso não chega, portanto terei que pegar dois pãezinhos, e talvez sobre dinheiro para um vinhozinho... só que se comprar o vinho, não vou poder comprar a Zero Hora e nem a Coca...”, estava refletindo sobre isso tudo, quando de repente, na curva da saída do estacionamento da PUC avistei três notas de dinheiro voando em minha direção, como se tivessem sido jogadas pelo Sílvio Santos no Topa Tudo por Dinheiro. Saí meio abestalhado atrás delas, e logo vi que se tratavam de valiosos 17 reais. Uma nota de R$10, uma de R$5 e outra de R$2. Senti-me como se tivesse ganhado na Mega. Estava resolvido meu problema! Iria comprar tudo! Eu disse TUDO! O xis, os pães, o vinho, a Zero Hora, e ainda sobraria dinheiro para uma Coca! Iria até comprar aquela grandona, de 2,5 litros! Segui caminhando, feliz da vida, mas então eu vi aquela mulher.
Ela ia caminhando na minha frente, com uma bolsa. Só estávamos nós caminhando naquela direção, portanto, calculei que o dinheiro pudesse ser dela. Mas como ter certeza? Se eu chegasse e dissesse: “ei, moça, esse dinheiro é seu?”, primeiro, ela pensaria que sou louco, segundo, obviamente aceitaria. Ou se ofenderia, afinal, vocês sabem como as mulheres se ofendem com facilidade. Pensaria bobagem, vá saber. Então, guardei o dinheiro no bolso, e segui andando. Alguns passos depois, ela começou a mexer nos bolsos, olhou na jaqueta, e começou a voltar, olhando para o chão, procurando algo. Bom, não me restaram dúvidas de que, sim, o rico dinheiro que salvaria a minha vida, era dela. O que fazer? Nesse instante, apareceu um duduzinho fantasiado de capeta, com garfinho e tudo no meu ombro, dizendo: “olha para ela, está bem vestida, carregando uma bolsa, com certeza os R$17 não lhe farão falta. Fique com eles e compre o vinho!”. Já no outro ombro, apareceu um duduzinho fantasiado de santo, com argolinha em cima da cabeça, asinhas e tudo, dizendo com voz e testa franzida de seu Nabuco (meu pai): “o dinheiro não é teu, guri, devolve para ela. Veja a tua situação: imagina se você perde esse dinheiro que acabou de sacar, estaria completamente fudido (o santo era desbocado). Devolva para a moça”. O diabinho, então, deu uma garfada no santo, que pegou a argola e bateu na cara dele, e os dois ficaram brigando, enquanto a dona moça se aproximava. Não resisti e perguntei: “tu que perdeu esse dinheiro?”. Ela confirmou que sim, e eu devolvi a grana. E assim, se esvaiu a minha riqueza em poucos segundos. Não sei se devolvi aquelas notas porque sou bonzinho, honesto, ou porque a moça se parecia muito com alguém do passado na qual eu dera um ursinho de pelúcia certa vez, e que nunca mais vi na vida, mas enfim, fiquei com a sensação de dever cumprido.
Entrei na Rua dos Cubanos, passei em frente ao Edifício Havana (onde moro), pensei “viva la revolución”, e fui para o super. No fim, acabei comprando uma pizza da promoção, dois pãezinhos e o vinho, também da promo. Afinal, eu merecia o vinho.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Uma forma de me sentir melhor

Bom, como faz quase uma semana que não posto nada aqui, e já está tarde, reproduzo aqui o mesmo texto que será publicado no Jornal das Missões desse sábado (04/07), para me sentir menos vadio, principalmente depois do baque do jogo de quinta-feira, no Olímpico. Segue o texto, sem alterações:

Lembro-me de um episódio do Arquivo-X, onde o agente Molder vivia diversas vezes o mesmo dia. Senti-me o próprio agente Molder na quarta e na quinta-feira. Saí de casa exatamente no mesmo horário, 18h, e no caminho, atravessando a PUC, encontrei o mesmo colega, e parei para conversar com ele exatamente os mesmos 3 minutos e 24 segundos. Peguei o mesmo T1 do outro lado da Ipiranga, e no caminho comprei uma latona de cerveja, após achar algumas escassas moedas em meus bolsos, e segui caminhando em meio à massa rumo ao acesso da imprensa dos respectivos estádios. Em ambos, fui encaminhado para as cadeiras. E em ambos, fiquei atrás do gol de onde saíram todos os gols. E em ambos, houve brigas. No Beira-Rio, entre a própria torcida, na arquibancada inferior (um pequeno grupo ficou os primeiros 10 minutos de jogo brigando incessantemente), e no Olímpico, da torcida no lado de fora com PMs. No segundo caso, foram mandando torcedores para as cadeiras, e não havia mais espaço, e por um momento temi uma tragédia maior do que a que ocorreu dentro de campo.
Fora isso, as coincidências foram essas que todos sabem: 2 a 0 para os adversários no primeiro tempo, os dois precisando fazer 5 gols na etapa final, e ambos chegando ao 2 a 2 aos 29 do 2° tempo. Além disso, D’Alassandro, expulso pelo Inter, e Adílson, pelo Grêmio. E, para completar: nos dois jogos eu estava chegando próximo ao portão de saída, quando aconteceram os gols de empate.
No entanto, como eu não sou o agente Molder, houveram algumas diferenças. No caso da final da Copa do Brasil, o Corinthians jogou melhor no 1° tempo e fez por merecer o 2 a 0. Já no caso do Grêmio, o time de Autuori teve um impedimento mal marcado do Maxi Lopes e um pênalti claríssimo não marcado quando o jogo estava 0 a 0, e caso o árbitro Oscar Ruiz marcasse, certamente seria uma outra partida. Também senti diferenças nas torcidas. Pelo lado do Inter, os colorados literalmente fizeram tremer o Beira-Rio antes do jogo e nos primeiros minutos, e cheguei a pensar que a arquibancada superior fosse despencar, de tanto que tremia. Por outro lado, no Grêmio, o apoio foi durante os 90 minutos, inclusive quando o Cruzeiro vencia por 2 a 0. Ninguém saiu do estádio Olímpico com voz após o término do jogo.
Por fim, a maior das diferenças: a classificação de ambos no Brasileirão. Enquanto o Inter divide a liderança, com 17 pontos, o Grêmio está em 14°, com 9. Porém, o que vai prevalecer no Gre-Nal do dia 19, no Olímpico? O grito da torcida gremista, ou a vantagem na tabela colorada? Pelo jeito a peleia está só começando.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

O sonho (e causos) do eletricista

“Sonhei com Jesus Cristo essa noite e acordei cantando. Acho que foi de tanto ver o Michel Jackson na televisão”. A frase foi dita pelo eletricista que consertou o chuveiro aqui do meu apartamento. Bom, na verdade não chega a ser um eletricista. E indo um pouco mais a fundo, esse foi o re-conserto do chuveiro, já que no sábado ele teoricamente tinha arrumado o dito cujo, mas no domingo a porra toda estourou de novo, e na segunda tive que sair procura-lo para reconsertar o conserto inicial.
Enfim, me senti na obrigação de escrever sobre ele, porque o cara realmente é uma figura. Deve ter uns 60 anos. Depois que estourou o chuveiro, no sábado, fui almoçar ali na esquina e perguntei para a dona do estabelecimento se ela conhecia algum eletricista pelas redondezas. O seu Valdemir (esse o nome fictício dele), que estava tomando um vinhozinho atrás do balcão, se acusou e acabou indo lá resolver a parada. O problema é que, pelo que parecia, o sujeito tinha bebido um pouco além da conta. Ele pegava aquele chuveiro, girava, abria, mexia, virava de lado, de ponta cabeça, olhava, remexia, batia no pobre coitado, o diabo. Até que compramos uma peça nova, e depois de umas três horas, o chuveiro funcionou. Em meio a tudo, ele contou que não ia mais a estádios de futebol desde 91. “Não vou mais. Eu sempre ia e tal e coisa, só que tinha um problema: naquela época eu lidava com droga. Mas eu deixei da bebida e das drogas em 2000”, contava ele, com a língua um tanto enrolada do vinho que tomara no almoço. E seguiu: “mas o problema era um pouco maior. Além de usar, eu ainda vendia droga. Vendia mais para a gurizada, todos meus amigos, tudo parceria. Mas foi então que aconteceu, naquele 1991: vendi um bagulho para um rapaz, que estava com um amigo. Eu vi os dois crescerem juntos aqui na vizinhança. Mas quando vi, começaram a brigar por causa do barulho, ‘me dá aqui, me da aqui’, e pá, e um matou o outro. Aquilo me deu uma depressão... Quantas famílias eu não destruí vendendo droga?”, me perguntava, enquanto girava o chuveiro de um lado para o outro. “Depois disso eu só pensava em me matar, mas conheci uma psicóloga que me tirou dessa vida, começou a me dar roupas para vender, e comecei a fazer estampas para camisas, e agora estou bem”, dizia, tentando encaixar a tampa do chuveiro. Mas no final das contas, em meio a outras histórias sinistras, acabou dando certo. Ou quase certo. Fui tomar banho mais tarde, e em pouco tempo senti um cheiro de queimado. Depois foi a minha irmã, e aconteceu a mesma coisa. Acabei deixando o cheiro de lado, e no domingo, quando fui tomar banho novamente, um novo estouro. Mas vi que não tinha sido no chuveiro. Passou o domingo, e na segunda, eu com um cheiro super-agradável, saí atrás do sujeito. Ele voltou, tão maluco quanto no sábado, no entanto, vi que esse era o seu estado natural de ser. No meio do conserto, acabou falando essa: “Sonhei com Jesus Cristo essa noite e acordei cantando. Acho que foi de tanto ver o Michel Jackson na televisão”. E completou: “sonhar com Jesus é uma coisa boa... Eu acho, pelo menos... Mas desliga lá a chave da luz que eu não quero ver Jesus tão cedo”. E menos de 24 horas depois do novo conserto, o chuveiro ainda não estourou.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Professores dessa vida

Muitas pessoas tiveram uma puta influência na minha formação. E, obviamente, muitas continuam tendo. Cada um contribui de alguma forma. Já falei aqui dos meus pais, do meu irmão e da minha irmã, da minha noiva, de vários amigos, colegas, parentes, e até dos meus cachorros. No entanto, nunca falei de outras pessoas que também foram fundamentais para eu ser isso que sou: alguns professores. Lembro-me até hoje da tia Íris e da tia Sílvia lá no CEP, em Panambi. Depois, em Santo Ângelo, a partir da 4ª série, durante meio ano no Verzeri, e mais vários anos no Sepé, tive outros professores que me incentivaram e me passaram ensinamentos que carrego até hoje. Claro, também tive alguns professores que me viam como o capeta em pessoa. Teve um, de Física, que chegou a falar mais ou menos isso: “quero só ver onde vocês estarão daqui a 10 anos, cambada de vagabundos!”. Parecia que saía fogo da sua cabeça e que ele iria nos matar, ali, em plena sala de aula. Mas não guardo ressentimentos. Muito pelo contrário, essas histórias de aprontar e levar os professores à loucura sempre são lembradas anos depois em meio a muitas gargalhadas. Eu mesmo, quando me aventurei a dar aulas de comunicação para crianças, cheguei a pirar em algumas situações. É a vida. Além disso, estou fazendo mestrado para dar aula, sem saber ao certo o que me aguarda.
No entanto, como estava falando, no Sepé tive uma professora que certamente teve muita influência sobre a visão crítica de mundo, às vezes quase revolucionária: Adriana Andreis. E não foi só comigo não. Antes de eu ter aulas com ela, já ouvia da boca do meu irmão as coisas que ela ensinava em sala de aula. “Tu é um boca aberta, guri. Tu não sabe nada do mundo. Espera ter aulas com a Adriana”, dizia-me ele, e eu ficava acuado como um cachorro, com os olhos arregalados e as orelhas baixas, porém, morrendo de curiosidade para saber o que a professora Adriana falava em aula.
Se não me engano, comecei a ter aulas de Geografia com ela na 7ª série. Desde as primeiras aulas, a turma inteira já ficava quieta e concentrada para ouvir o que ela ia nos dizer, algo raríssimo tratando-se de adolescentes com 13, 14 anos. Confesso que eu não conseguiria isso. Uma das questões que ela colocou em certa aula foi: por que os mapas são do jeito que são? Estados Unidos e Europa no norte, o Brasil e a África no sul. Ou ainda: por que o Sul é sul e o Norte é norte? Quem definiu isso? Seria porque o mundo estaria representando um corpo, onde a parte de cima pensa e a parte de baixo obedece? Confesso que são questões que me faço até hoje, sem saber a resposta, mas desconfio que seja por isso mesmo.
Enfim, além do meu irmão e eu, a minha irmã também foi aluna dela. Esses dias, eu sentado aqui, escrevendo raivosamente contra o Gilmar Mendes, olhei para a minha irmã, que tentava planejar comigo um seqüestro de avião para jogar no prédio do Senado, refleti por um segundo, de repente me veio a questão, que repeti em voz alta: será que eu, tu e o Fábio somos assim por termos sido alunos da Adriana?
Ela pensou por alguns segundos e disse: “acho que sim”. Só para esclarecer, a professora nunca deu a idéia de jogar um avião no Senado, e apesar de não faltar vontade de fazer isso, eu e minha irmã também não tomaremos essa drástica atitude. Mas o que eu quis dizer foi que a professora certamente foi uma das pessoas que mais influenciou no que se refere ao nosso espírito crítico de ver as coisas. Basta ver as nossas profissões: eu e meu irmão, jornalistas. E minha irmã, assistente social, marxista convicta, apesar de ter uma boa inclinação consumista capitalista. E entre tantos e tantos professores que tive na escola, certamente a Adriana foi a que mais nos fez pensar. Tanto é que a maioria dos episódios e das falas de professores daquele tempo que eu tenho claramente na memória, 90% ocorreram nas aulas dela. Lembro-me que desfilei feliz da vida fantasiado de morte, com um machado na mão, ameaçando o mundo, como uma forma de questionar se o capitalismo estaria ameaçando o futuro planeta? Isso em 1995, quando o consumismo exacerbado era um monstro ainda em formação, que foi se alimentando ano a ano com a internet e o desenvolvimento da mídia. Se isso é bom ou ruim, é outra questão. Mas também lembro que foi ela que me explicou de uma forma que lembro até hoje o que era capitalismo, socialismo, globalização e tudo o mais. Enfim, ela sabia dar aula, e ao mesmo tempo sabia despertar em nós uma vontade de questionar o porquê das coisas. E pelo que vejo (é só espiar no orkut), até hoje ela segue formando uma legião de seguidores de suas idéias.
Depois do colégio, tive outros professores que seguiram despertando esse espírito de inquietação, de busca por respostas, de questionamento do que está estabelecido e tudo o mais. Entre eles, destaco o Larry, meu orientador de monografia no curso de Jornalismo da Unijuí. E atualmente, no mestrado em Comunicação da PUC, encontrei nesse semestre mais um professor que levanta questões que, como ele mesmo diz, são para te deixar pensando durante todo o final de semana: Juremir Machado da Silva. E além dele, ainda conto com a orientação de Antônio Hohlfeldt. Seguindo um pensamento de Edgard Morin, na autobiografia Meus Demônios: o negócio é sugar todo o conhecimento possível de nossos professores. Principalmente quando eles têm muita qualidade, como é o caso da Adriana. Ah, e queria outra camiseta azul da turma de Geografia de 1995, com o mapa mundi de ponta cabeça. Alguém tem uma pra me dar?
PS: como só tenho a minha foto fantasiado de morte lá em Santo Ângelo, roubei uma do Orkut da professora, com uma das turmas contemporâneas do Sepé.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Bom dia Arion! Bom trago, Lula!

Não ia postar nada hoje, mas como o vadio do Arion (sobraram alguns xingamentos do Gilmar Mendes para o traste) disse hoje que lê o meu blog todas as manhãs, e eu, como já disse, não acordo antes do meio-dia a não ser em casos excepcionais, vou postar agora esse texto para dar bom dia ao infame.
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No entanto, como as notícias correm, acabo de ler que o Lula vai estar aqui em Porto Alegre nesta sexta-feira, e vai passar pela PUCRS. Para sorte dele, vou estar em aula, e essa é a última aula dessa disciplina, e terei que entregar o trabalho do semestre, portanto, não poderei falta-la, nem mesmo para atirar uma garrafa de vinho barato no crápula. Queria perguntar ao nosso presidente quantas ele tinha tomado quando indicou o cadelo do Gilmar Mendes para ministro do STF. Ah, esqueci, ele criticou a imprensa que estava cobrindo os escândalos envolvendo o Senado. “Tem tanta coisa boa em nosso país para mostrar, e a imprensa só quer mostrar as coisas ruins”, disse. Que palhaçada. Lembrei de um filme feito pela equipe do Hitler, em 1933, onde só mostravam as coisas boas da Alemanha. Uma mulher estendendo a bandeira do nazismo em um belo dia de sol, as criançinhas brincando e correndo em lindos parques, o Hitler sorrindo, certamente era esse o mundo que ele vendeu para o povo alemão antes da catástrofe. E esse filme passou em todos os cinemas da Alemanha na época. Obviamente, o Lulinha sabe, tanto quanto o Hitler e muitos outros, o quanto é importante ter o CONTROLE da imprensa para se fazer o que bem entende, portanto, pra quê jornalistas formados?
Ah, falando em controle da imprensa, o nosso esperto presidente vai vir para Porto Alegre sabem pra quê? Ora, para ser o primeiro a apertar o botão que irá rodar as máquinas do novo parque gráfico do grupo RBS, lá perto do aeroporto Salgado Filho. Está lá, no site da ZH. É aquela velha história que o Muniz Sodré já chamou a atenção para os países latinos americanos: os governos “investem” e apóiam os meios, inclusive com anúncios, e assim, recebem o mesmo tratamento dos demais clientes da mídia: como vai se falar mal do cliente? Ou vocês acham que as campanhas do governo federal no intervalo da novela das oito são veiculados porque o governo é bonzinho? Quanto vocês acham que o governo paga pelas propagandas?
Mas já estou ficando de raivoso de novo, só de pensar nessas coisas. Melhor mesmo é falar de futebol, mas como não dá audiência bloguística, paro por aqui. Ah, e será que o Lula não vai passar lá no bar do tio, pra tomar umas com o Pula-Pula? Acho que iam se dar bem, os dois.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Protesto, derrota gremista e fones de ouvido estragados


Duas coisas importantes aconteceram hoje. Primeiro, o manifesto contra Gilmar Mendes e pró-diploma no centro de Porto Alegre. Foi muito bom, tinha cerca de 400 manifestantes (um recorde, tratando-se de jornalistas). Gritamos, berramos, esperneamos, apitamos, xingamos, cantamos, percorremos as ruas centrais de Porto Alegre, fomos até a frente do Correio do Povo, gritamos mais, xingamos mais, trancamos a rua, voltamos, fomos até o Palácio Mágico, digo, o Palácio da Justiça (tipo aquela sala da justiça, do desenho, sacam?), xingamos mais ainda, gritamos “Gilmar Mendes, seu urubu, vou enfiar o meu diploma no teu cu” (esse foi meu canto preferido, mas o pessoal optou pelos mais “lights”), voltamos, fomos para a Assembléia Legislativa, entramos lá dentro, fizemos o presidente da nobre casa, o seu Pavan, se manifestar a respeito do causo, enfim, fizemos muito barulho. Prometo postar brevemente algumas fotos, mas como estou num computador muito arcaico, não tenho essa possibilidade pós-moderna de baixar fotos. E de quebra, ainda descobri, durante o almoço (às três da tarde) que posso ir para a África. Tudo porque durante a nossa refeição conheci um sul-africano que me garantiu que para ir ao seu país, não é necessário se vacinar contra a febre amarela. “A área de riso é aqui, no Brasil. Lá não tem isso não”, disse-me com um sotaque carregado, o sul-africano, que faz mestrado na UFRGS.
Mas, apesar de já ter escrito sobre tudo isso, não queria mais falar sobre a questão do diploma, pelo menos por enquanto. Indico os sites da Fenaj e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS para que o nobre e atento leitorinho tupiniquim acompanhe o caso. Como me disse há pouco um amigo meu: “falar de assuntos sérios me deixa mal-humorado, deprimido, de mal com a vida”. Enfim, revoltado com o mundo. E, como tenho uma lista de coisas para fazer até o final do mês, não queria falar disso. E nem da segunda coisa importante que aconteceu hoje: a derrota do Grêmio por 3 a 1 para o Cruzeiro. Até acho que saímos no lucro. Passei a semana falando que levaríamos no mínimo 3 a 0, e ainda fizemos um gol (graças ao árbitro que entrou na etapa final). Agora, eu aposto no seguinte placar: Geral do Grêmio (com gols de Herrera e Maxi Lopes) 2x0 Cruzeiro, e Grêmio finalista da Libertadores.
Enfim, fora esses dois assuntos, até já esqueci o que eu ia abordar nessa coluna lida por milhões de leitorinhos tupiniquins e não tupiniquins (sim, meus humildes textos já são lidos por colombianos, brasileiros naturalizados italianos, japoneses, chineses, australianos, sbornianos, etecétera e tal).
Ah, agora lembrei. Estava olhando as coisas que cercam o meu computador e pensando: como tem fones de ouvido estragados por aqui. Devem ter uns 8 ou 9. É que essa é a especialidade da minha irmãzinha: estragar fones de ouvido. Eu compro um por dois pila nos jogos, ela vai lá, e em dois dias estraga. Quando não é ela, sou eu. Pior que nenhum de nós (uhu!) se anima a colocar no lixo essa sucata. Por sinal, não sei de onde tiramos tantas coisas para ocupar espaço nesse lugar tão apertado. Daqui a pouco sai alguém de baixo dessa bagunça. No entanto, a culpa é do inverno. As roupas de inverno ocupam mais espaço. Vou parar por aqui, senão as criaturinhas abrem a página e exclamam: “ah não, mas ele escreveu demais. Não vou ler tudo isso”, e vão para o blog do Gilmar Mendes, que escreve lá suas bobagens em dois parágrafos. Um abraço, e viva la revolución!