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domingo, 15 de julho de 2018

Devaneios copanianos

A Copa do Mundo 2018 acabou há poucos minutos. Às vezes acho que escrever esses textos não faz sentido, mas como quando eu quero saber se algum time ou seleção realmente foi bom eu vou procurar nos jornais e revistas da época o que escreviam sobre essas equipes ou pergunto para os mais velhos que viram esses times jogar (especialmente meu pai), optei por escrevê-lo, finalizando a série Mundial da Rússia nesse espaço. Ou seja, escrevo para esclarecer algumas coisas para o caso de alguém, por acaso ou acidente, daqui há décadas ou séculos, estiver pesquisando sobre o futebol das duas primeiras décadas do século XXI e cair nessa página. Além do mais, mesmo com as novas gerações podendo ver vídeos e assistir aos jogos antigos na íntegra, falam tanta merda sobre o passado na imprensa esportiva contemporânea, que penso que o testemunho do momento e das fontes que viveram cada período ainda é o mais confiável.
Há várias coisas a se considerar sobre o título francês e a Copa de 2018. Portanto, vou por partes.
Primeiro, sobre a final. O árbitro foi decisivo. E ficou provado que, mesmo com o árbitro de vídeo, o homem do apito pode bagunçar com uma final de Copa do Mundo. A Croácia dominava o jogo, quando ele marcou uma falta inexistente próximo à área. Da cobrança, a França abriu o placar. A Croácia correu muito atrás para empatar o jogo. Então, com 1 a 1 no placar, numa cobrança de escanteio o árbitro cedeu à choradeira dos franceses e foi ver o lance no vídeo. Um lance rapidíssimo. E aí, concordo com o comentarista da Sportv: o lance foi muito rápido e a bola bateu no braço do jogador croata por acidente. Vendo o lance em câmera lenta, fica fácil julgar. Pênalti duvidoso, marcado com a ajuda do vídeo. Foi demais para o já cansado time croata, que seguiu dominando até levar o 3 a1. Depois disso, a maionese desandou e prevaleceu a eficiência do bom time francês. Além disso, no final do primeiro tempo, quando a Croácia ainda tinha possibilidades de lutar por algo, o árbitro deu apenas 3 minutos de acréscimo, sendo esse somente o tempo de paralisação para ele ver o lance do pênalti no vídeo, ou seja, não descontou nenhum segundo da cera que os franceses já começavam a fazer.
Segundo, eu diria que a Bélgica não ter levado esse mundial foi praticamente tão injusto quanto o Brasil ter voltado para casa sem a taça em 1982. Foi disparado o futebol mais bonito, mais ofensivo, com uma equipe com mais destaques individuais e alternativas. E, então, chego ao antijogo francês. Na semifinal, a Bélgica jogava melhor e a França abriu o placar no início do segundo tempo numa cobrança de escanteio. A Bélgica teria 40 minutos para buscar o empate. Mas não teve jogo. Os franceses se jogavam no chão (ao melhor estilo Neymar), ninguém se apresentava para cobrar falta ou lateral e, assim, foram matando o jogo e, claro, contaram com a complacência da arbitragem que deu 6 minutos de acréscimo, sendo que não houve jogo nesses 6 minutos, pois os franceses foram comendo segundo por segundo se atirando, simulando, demorando para cobrar qualquer tipo de bola parada. Ou seja, é impossível qualquer time superar essa “malandragem” que vive o seu auge nesse início de século XXI, pois hoje em dia qualquer jogo de qualquer campeonato conta com isso: o time faz 1 a 0 e não deixa mais ter jogo e os árbitros não dão os acréscimos que seriam justos ou necessários – e tampouco punem os malandros com cartão. Se a França tivesse deixado a bola rolar e, mesmo que vencesse na retranca, eu consideraria, sim, justa a classificação. Mas com o antijogo, fica impossível simpatizar com um time desses. Para mim, a melhor seleção da Copa foi, sem sombras de dúvidas, a Bélgica.
Terceiro, apesar dos pesares, a França fez campanha de campeão: seis vitórias (todas no tempo normal) e apenas um empate, na última rodada da fase de grupos num jogo de compadre contra a Dinamarca (pois o empate era bom para os dois). Aliás, é a cara dessa França jogar pelo resultado, custe o que custar e foda-se o resto. Não deu show e fez seus dois grandes jogos contra sul-americanos: 4 a 3 na Argentina e 2 a 0 no Uruguai. Portanto, mesmo sem ter jogado o melhor futebol e ter abusado do antijogo, é campeão digno de tal título, diferentemente da Croácia, que venceu todas na fase de grupos, mas chegou à final com duas vitórias nos pênaltis contra seleções bem fraquinhas: Dinamarca e Rússia.
Quarto, a França ingressa no grupo dos gigantes do futebol mundial, deixando para trás os também campeões mundiais Espanha, Uruguai e Inglaterra, além da três vezes vice, Holanda. Agora, o grupo de gigantes conta com Brasil, Alemanha, Itália, Argentina e França.
Quinto, reformulei a minha lista de melhores campeões mundiais que vi jogar. O ranking, agora conta com o Brasil de 2002 em primeiro, a Alemanha de 2014 em segundo, Espanha de 2010 em terceiro, Brasil de 1994 em quarto, França de 1998 em quinto, Alemanha de 1990 em sexto, França de 2018 em sétimo e Itália de 2006 em oitavo. Nesses anos todos, duas vezes o melhor não foi o campeão: em 2006 a França de Zidane era muito melhor do que a Itália (e fez uma copa bem melhor) e, nesse ano, a Bélgica foi melhor do que a França, apesar de ter perdido no confronto direto, numa final antecipada, conforme os motivos apontados anteriormente.
E a América do Sul? Brasil e Argentina precisam colocar as suas revelações em campo ao invés de seguir convocando apenas jogadores que atuam na Europa. Se os dois continuaram assim, daqui para frente a Copa do Mundo vai seguir a lógica do Mundial de Clubes: só levantaremos o caneco esporadicamente, uma vez a cada 10 copas, e olha lá. Afinal, numa competição em que todos se conhecem e jogam nos mesmos times europeus, ter um elemento surpresa pode ser o diferencial. Falta ousadia para um futebol que sempre se orgulhou por ser ousado, mas que anda mais burocrático que o mais chato dos campeões europeus...

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Num deu!

Estamos fora da Copa. Como me sinto? Normal. Estava pensando, rememorando todas as Copas que vi, e me dei conta de uma coisa: sem dúvidas, essa foi a Copa em que menos torci para o Brasil. Na verdade, torci, mas torci como aquele torcedor de time de futebol que diz que torce para o time X porque "tem que” torcer para alguém. Não posso dizer, por exemplo, que fiquei nervoso em algum momento do jogo de hoje contra a Bélgica. O coração só acelerou um pouquinho mais quando o Coutinho bateu livre, raspando a trave, já no final. Ali, sim, lamentei de verdade, pois era uma chance claríssima que, se tivesse entrado, levaria o jogo para a prorrogação. E, com o ritmo que o Brasil estava, penso que o 3 a 2 viria na meia hora extra. Porém, vou novamente rememorar brevemente as outras Copas.
Em 1990 eu era uma criança e achava que a seleção do meu país era a Alemanha, pois morava em uma cidade com fortíssima colonização alemã: Panambi. Quem já morou lá, sabe do que estou falando: aula de alemão na escola, sem aula em dia de jogos da Alemanha da Copa, musiquinha natalina em alemão no Natal, etc. Mas, mesmo assim, lembro de eu e meu irmão lamentando a derrota para a Argentina. Em 1994, nem vou comentar, pois eu era um fanaticozinho pelo Brasil. Em 1998, apesar de não gostar do Zagalo e de achar que a França foi o melhor time desde a primeira rodada, na hora em que a bola rolou, eu estava lá, torcendo para o Brasil. Em 2002, torci de boas, até porque aquele time era uma máquina (possivelmente a melhor seleção que já vi até hoje). Em 2006, vibrei com as vitórias sofridas e lastimei a eliminação para a França, mas não muito. Contra a Holanda, eu assisti o jogo num bar em Porto Alegre e, no clima de torcida brasileira, fiquei frustrado. Nos 7 a 1, eu estava com a camisa do Brasil num cassino em Las Vegas, obviamente, torcendo para o Brasil. Em todas essas copas, até rolou um nervosismo antes do jogo. E, dessa vez, até cheguei a me empolgar mais cedo, coma eliminação do Uruguai para a França. Eu dizia para mim mesmo: “agora esses europeus vão nos pagar! Tiraram Argentina, Uruguai e Colômbia! Vamos vingar toda a América do Sul!”.
Mas, antes que eu me aquecesse para ficar nervoso, o jogo ficou 2 a 0. E, então, o único momento de torcedor de verdade foi no chute do Coutinho, como já disse.
De maneira geral, cito aqui a minha postagem no Facebook que resume o meu pensamento sobre a participação do Brasil na Copa da Rússia: “A real é a seguinte: individualmente, a geração 2014-2018 é a pior da história do futebol brasileiro. É impossível comparar qualquer um desses jogadores com Ronaldo, Romário, Ronaldinho Pilantra, Rivaldo, Edílson, Edmundo, Neto, Júnior, Juan, Branco, Leonardo, Jorginho, Paulo Nunes, Bebeto, Denner, Kaká, Cafu, Flávio Conceição, Viola, Roberto Carlos, Evair, Dunga, Mauro Silva, César Sampaio, Mauro Galvão, Djalminha, etc. Sem contar os goleiros: Taffarel, Dida, Rogério Ceni, Marcos, Ronaldão, Gilmar, Zetti... Foi-se o tempo em que dava para montar três timaços com jogadores brasileiros. Agora são jogadores comuns tentando compensar na tática (não a toa, as estrelas das últimas copas foram os treinadores Felipão e Tite). O motivo das vacas magras de craques no futebol brasileiro? Sei lá... Só sei que foi (e está) assim....”. E isso que nem citei os mais antigos: fiquei só nos que vi jogar.
Por um lado, analisando agora, friamente, até há lados positivos nessa eliminação, em relação à história do futebol. Às vezes vejo alunos (ou crianças mesmo) super empolgados com Coutinho e Neymar e pensando que Cristiano Ronaldo é melhor que Pelé e Messi que Maradona. Aliás, vão nessa onda embalados pelo oba oba duma imprensa que nem sempre estuda história do futebol. Os fracassos desses mitos midiáticos mostram que não é bem assim para ser tri campeão de Copa do Mundo como jogador, como fez Pelé (e sendo protagonista nas três), e nem marcar gol em todos os jogos de uma Copa, como fez Ronaldo. Temos muito o que evoluir até chegar ao ponto em que estávamos, ou seja, no topo do mundo.



Apenas por curiosidade, eis a minha lista de predileção para a sequência da Copa, sendo que amanhã serão definidos os outros dois semifinalistas:
1) Bélgica (ok, nos eliminaram, mas seria justo e legal ver essa geração espetacular da Bélgica ser campeã)
2) Croácia (sempre simpatizei com o time de tolha de mesa de jantar, desde os tempos de Suker)
3) Suécia (eu tinha uma camisa da Suécia no Ensino Médio...)
4) Rússia (seria cômico)
5) Inglaterra (sempre forma times fortes, mas nunca chega. Seria uma forma de fazer justiça).
6) França (seria justo, mas acho o time meio sem graça).

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Aprendendo a sofrer

O Brasil aprendeu a sofrer. Pelo menos no futebol. Essa é a frase do momento no futebolês: saber sofrer. Os jogadores da seleção vencem e vão aos microfones dizer: “sabemos sofrer no momento em que eles atacaram”. O técnico vai lá, e fala o mesmo. O comentarista (no caso, ouvi Muricy Ramalho falando isso no Sportv) diz: “o time soube sofrer no momento certo”. Diante de tudo isso, e das últimas vitórias convincentes dos últimos jogos, incluindo a de hoje por 2 a 0 contra o México, concluo que, no futebol, o Brasil aprendeu a sofrer. Lambeu todas as feridas do 7 a 1, colocou um treinador de verdade no comando no lugar de um técnico fake (Tite no lugar de Dunga) e, desde então, nunca mais perdeu em jogos oficiais. Tite ensinou os jogadores a sofrer.
E assim foi o jogo de hoje. Os mexicanos iniciaram tentando fazer uma pressão. Todos sofreram, calados. Tentaram se organizar, mas não estava dando certo. A partida corria com o 0 a 0 e o Brasil errava a saída de bola. O México retomava a pelota e partia pra cima. A torcida mexicana, empolgada, gritava “olé” desde os 5 minutos de jogo. Os jogadores e o treinador sofreram o quanto foi necessário para, então, retomar o controle do jogo lá pelo final do primeiro tempo. E, desde então, o México não teve a mínima chance. Um típico 2 a 0 ao natural aplicado pelo melhor time. Placar que poderia ter sido maior se houvesse um pouco mais de tempo. No segundo tempo, o México não ameaçou o gol de Alisson. Um 2 a 0 justo, categórico, com a autoridade e o selo de qualidade do melhor time.
Com a força do único país que pode ser seis vezes campeão do mundo. E agora?
Agora vem a Bélgica. De time com o melhor futebol da copa, para a seleção que sofreu diabos para eliminar o fraco time japonês por 3 a 2, de virada. No jogo do final da tarde, ficou comprovada a força aérea do time belga: bola na área geralmente é sinônimo de perigo. Diziam o mesmo da Sérvia, e o Brasil fez 2 a 0, sem problemas. Já comentei aqui que a seleção de Tite não jogou nada nos dois primeiros jogos. Sofreu na hora certa e, mesmo assim, empatou uma e venceu outra. Agora, deixou o sofrimento para trás e venceu dois times mais compactos e fortes (Sérvia e México) jogando muito mais do que seus adversários. Passou o sofrimento para o outro time. Contra a Bélgica, a expectativa é que as dificuldades aumentem e, passando do time de Lukaku, o sofrimento será ainda maior contra uma das duas seleções que ganharam títulos mundiais em cima do Brasil: Uruguai ou França. Qual toca é a pior para enfrentar? Na minha opinião, a França, hoje, é o grande adversário brasileiro na briga pelo título. Ousaria dizer que, no caso de um Brasil x França na semifinal, o classificado será o campeão (apesar da minha torcida pelo Uruguai no confronto contra os franceses). E, passando para a final, são diversas as possibilidades: Inglaterra, Colômbia, Rússia, Croácia, Suíça ou Suécia.
Minha impressão inicial é que as quartas de final e a semifinal serão mais difíceis do que uma eventual final. Apesar de que, numa Copa maluca como essa, em que a Rússia eliminou a Espanha e a Coréia do Sul a Alemanha, é difícil apontar favoritos em jogo algum. Essa, aliás, está sendo uma copa de quem sabe sofrer. Argentina, Alemanha e Espanha não souberam sofrer durante os 90 minutos e acabaram sofrendo eliminações categóricas e doloridas. E sobre sofrimento, dor e lágrimas são poucos os que superam o Brasil e os brasileiros.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Assim fica melhor

Torcedor é foda. Basta o time/seleção jogar um jogo bem e já se ilude. Por outro lado, são um ou dois jogos sem conseguir encaixar as jogadas, sem os principais jogadores brilharem, sem a bola entrar como gostaríamos, que já desanimamos. Nos dois primeiros jogos do Brasil nessa Copa, cheguei a pensar que cairíamos na primeira fase. Porém, após a vitória convincente de hoje, contra a Sérvia, por 2 a 0, o otimismo voltou com tudo – como nos casos mais doentios de torcedor impulsivo. O time voltou a ser o mesmo das eliminatórias e dos amistosos: marcou bem, jogou simples e sério e venceu com sobra. Claro, não foi nenhum show, mas teve fila de Neymar, lançamento de Coutinho e gol de cabeça de Thiago Silva. E, o mais importante, contra um time que, antes da Copa, era o principal cotado para se classificar ao lado do Brasil. Se depois do jogo contra a Costa Rica eu disse que assim ficava difícil, agora eu digo que assim fica melhor – e espero, depois do jogo contra o México, poder escrever “assim fica fácil”.
Antes da bola rolar, eu temia pelo futuro, mesmo com a classificação. Sempre disse que, se o pênalti desperdiçado pelo Chile nas oitavas de 2014 tivesse entrado, os 7 a 1 nunca teriam acontecido. E, com toda a sinceridade, nessa Copa de 2018 já estava pensando que era melhor cair na primeira fase do que fazer fiasco de novo nos jogos em que só um passa. Porém, depois do jogo de hoje, combinado com a goleada que o México levou da Suécia, já estou colocando o Brasil nas quartas-de-final e pensando em um possível adversário: Colômbia? Inglaterra? Bélgica? Senegal? Japão? Só saberemos amanhã... Mas uma certeza eu tenho: se o Brasil continuar jogando assim, agora que engrenou, encontra adversário a altura apenas se cruzar com a Bélgica ou a Inglaterra.
E a Alemanha, heim? Eliminada pela já eliminada Coréia do Sul na fase de grupos. Assisti um pouco aos programas de mesa redonda de hoje e a discussão era mais ou menos essa: o que é pior, levar 7 a 1 numa semifinal de Copa do Mundo em casa ou 2 a 0 da Coréia do Sul (já eliminada) e cair na primeira fase jogando em outro país? As opiniões variam. A minha? Olha, se não fosse o fator “em casa” eu até preferia os 7 a 1, mas como foi no Brasil, fica difícil, pois no futebol o fator “casa” tem uma importância absurda, mais do que em qualquer outro esporte. Você tomar 5 a 0 fora, é uma coisa. Dependendo da situação dos times, é até justificável. Mas nenhum time grande aceita levar 7 a 1 em casa, seja contra quem for. Então, na minha humilde opinião, pelo fator “em casa” eu prefiro ser eliminado pela Coréia do Sul na primeira fase. Apesar de que, no fundo, essa é uma discussão inútil e sem fundamento. O fato é que o jogo dos 7 a 1 foi o jogo mais importante e memorável da história do futebol (comparável apenas aos 4 a 1 da seleção de Pelé contra a Itália na final de 1970), por tudo o que envolveu aquele jogo: semifinal de Copa do Mundo, maior goleada nessa fase entre dois times grandes e na casa da equipe derrotada. Em outras palavras, daqui a 50 anos vai se falar dos 7 a 1. Por outro lado, dificilmente alguém vai dizer “ah, a Alemanha foi eliminada pela Coréia do Sul na primeira fase da Copa do Mundo de 2018”. Até porque, grandes seleções caírem na primeira fase está virando rotina. Um exemplo disso foram as eliminações igualmente fiasquentas das também detentoras do título França (2002), a Itália (2010) e a Espanha (2014).
Já um 7 a 1, é uma vez a cada 200 anos, e olhe lá! Na verdade, apenas nós, brasileiros, é que discutimos isso, pois para qualquer outro torcedor de qualquer outra nacionalidade isso é questão resolvida.
O fato é que a autoestima do futebol brasileiro e da própria Seleção precisa ser retomada aos poucos. E jogar um bom futebol, como o de hoje e, de preferência, ganhar a Copa do Mundo (jogando sério, sem querer dar show forçado, como o time tinha tentado contra a Costa Rica), pode deixar os 7 a 1 apenas como uma página virada para ser lida nos livros de história do futebol, sem ter mais o poder de afetar os jogadores brasileiros das seleções que estão por vir. O resto é papo de torcida.
Para finalizar, uma ressalva importante: eu só consegui recuperar o otimismo, voltando a torcer um pouco mais fanaticamente pela Seleção, graças ao bom futebol apresentado pelo time do Tite e (muito importante) por não ter assistido ao jogo na Globo com o Chatão Bueno. Aliás, pretendo terminar a Copa sem ter ouvido a voz dele. Assim, dá até gosto de começar a sonhar com o hexa!

sábado, 23 de junho de 2018

Assim fica difícil

Como eu já falei em outras oportunidades, as únicas Copas em que torci para a Seleção Brasileira como se fosse o Grêmio foram nas de 1994 e 2002. Na primeira, eu tinha 12 para 13 anos, ou seja, nada surpreendente. Na segunda, era simplesmente um dos melhores selecionados de todos os tempos com Rivaldo e Ronaldo comendo a bola e Felipão ainda no auge. Uma questão de justiça.
Hoje eu sou pragmático. Quando merece vencer ou é formado por jogadores e comissão técnica que tem caráter, eu torço. Caso contrário, não chego a secar, mas não lamento derrotas e eliminações. E, se durante o jogo a seleção + comentaristas e locutores estiverem me irritando demais, sim, passo a torcer pelo adversário. Isso quase aconteceu no segundo jogo dessa copa, ontem, na vitória por 2 a 0 contra a Costa Rica.
Foram 90 minutos de futebol medíocre contra uma seleção fraquíssima. Até aí tudo bem, ninguém é obrigado a jogar 100% o tempo todo. Mas a postura de Neymar passou dos limites. Além de continuar se jogando de maneira ridícula, ainda reclamou, brigou com a arbitragem e adversários e pagou o maior mico da Copa: simulou um pênalti em tempos de árbitro de vídeo. O árbitro principal, inicialmente, engoliu a encenação, mas alguém lá de cima avisou o dito, que foi conferir no vídeo e cancelou o pênalti quando o jogo já estava indo para o seu final e o placar ainda estava 0 a 0. Saiu muito barato não ter levado um amarelo. Foi uma atuação lastimável, pior do que a da própria seleção brasileira.
Não vou chegar ao ponto de torcer contra o Brasil por causa do Neymar. Mas então, depois do jogo, circula a informação de que para Galvão Bueno e Tite foi pênalti. Não acredito, posto isso no Facebook, e pessoas comentam argumentando que, sim, o teatro amador de Neymar não foi encenação, mas sim, que foi pênalti. Assim fica difícil, ô! Não consigo torcer para um jogador que, ao invés de tentar jogar, tenta ganhar na trapaça. E acompanhar uma torcida que enxerga miopemente o que o mundo inteiro enxergou: que Neymar tentou enganar a arbitragem na cara dura. Não vou nem entrar aqui no mérito da questão, pois tentar explicar o lance é o mesmo que tentar demostrar que o gramado é verde para um daltônico. O fato é que já estou chegando ao estágio de, se perdermos para Sérvia na quarta-feira e cairmos fora, não ficar nenhum pouco triste.
Também já fiz isso com o Grêmio. Quando o time não joga nada, faz coisas erradas e treinador, jogadores e imprensa querem dizer que está tudo bem, torço para levar uma chapoletada para se ligar. Se cair fora, o Brasil começa a seguir o caminho da Itália: fiasco atrás de fiasco até ficar fora de uma Copa. Será que vai ser assim? Do jeito que a coisa anda, impossível duvidar.
Por fim, o que mais irrita é a postura da imprensa brasileira (acompanhada pelas massas). Parece que é proibido criticar o Neymar e a seleção. Nenhum comentarista ou narrador diz com todas as letras, como é dito sobre o Messi, “o Neymar não jogou nada nessa Copa até agora e está sendo arrogante pa caralho! Ele ainda não entrou em campo!”. Por quê? Até no Rio Grande do Sul, quando um craque ou estrela da dupla Grenal não joga nada os comentaristas e narradores dizem: ele não está jogando nada!!! Mas, no Brasil, parece que vivemos sob censura futebolística. Todos tentam vender a ideia de que está tudo bem, até que surja um novo 7 a 1. E, se alguém fala isso, já vem os replicadores de Galvão Bueno argumentar: “ah, mas esse ano a Alemanha está mal”. Como se fosse esse o ponto, cara pálida.
Jogando desse jeito, com jogadores arrogantes e um treinador que passa a mão na cabeça deles e, tudo isso, com a complacência da imprensa brasileira (nada de novo no front), pode não ser 7 a 1 para a Alemanha ou 3 a 0 para a França, mas certamente aparecerá outro carrasco. E o pior é aguentar depois o papo de que a Copa foi vendida, como se nenhum outro país pudesse nos vencer nesse esporte que deixamos há algum tempo de sermos reis. Como diria Úrsula Buendía de 100 Anos de Solidão: o mundo anda mesmo em círculos...

domingo, 17 de junho de 2018

Pisada de bola

Foi uma estreia medíocre. Mais uma vez, criou-se uma tremenda expectativa em torno da Seleção Brasileira. Tite era o Treinador Mago, Neymar no auge da carreira, Marcelo considerado quase que de forma unânime o melhor lateral esquerdo do mundo, Gabriel Jesus prontíssimo para estourar numa copa, Philipe Coutinho jogando muito no Barcelona, e por aí vai... E tudo começou bem: o time tocava a bola com facilidade, fazendo aquela pressão inicial que é exigida dos favoritos, furando a defesa suíça uma ou outra vez até que, pá, num chutaço de Coutinho o Brasil fez 1 a 0. Tudo em casa, tudo em ordem. Favorito ganhando. Todo mundo feliz da vida no Brasil. E então, o inexplicável aconteceu: o time parou de jogar. Aquele encaixe tão perfeito, que parecia que iria durar até o final da copa no jogo do hexa, foi para o espaço. Capuft. Sumiu. O time passou a errar passes. Parou de atacar e, de quebra, permitiu o crescimento da Suíça (ainda bem que o adversário não era o Peru... É clichê, eu sei, mas o jornalismo esportivo vive de clichês...). No início do segundo tempo, um escanteio. Todo mundo erra. A zaga. O goleiro. A arbitragem. Resultado: gol da Suíça, 1 a 1.
Todos esperam uma pressão sufocante do Brasil, numa reação imediata como a da Alemanha tentando (inutilmente) empatar com os mexicanos mais cedo. Não rolou. Nem pressão, muito menos gol. Um pênalti em Gabriel Jesus não foi marcado. Penso eu que foi pênalti, porém, como Jesus além de ser Filho do Homem também quis ser ator e se jogou além do necessário, o árbitro decidiu não marcar. E, quando o jogo estava 1 a 1, uma bola vermelha com a cruz branca ao centro caiu perto do goleiro Alisson.
O mesmo goleiro que já buscou cinco bolas do Grêmio metidas em suas redes num Grenal e que nesse ano tomou mais cinco da Roma e que, mesmo assim, é a paixão de Tite. Com Taffarel como preparador de goleiros, é claro que ele seria convocado e que seria o titular. Depois eu é quem sou clubista... Voltando ao jogo, Alison, num clima de Copa do Muno, onde para a torcida tudo é festa, fez cara de mau e pisou na bola vermelha da Suíça. A torcida chiou e houve até algumas vaias que o telespectador maia atento pôde perceber, mas que foi ignorada pelos narradores brasileiros, pois ora já se viu, chamar um brasileiro de antipático ou dizer que não tem espírito esportivo! Brasileiro tem que ser alegre! Feliz! Simpático! Enfim, um eterno bobo alegre!! Isso é o que Galvão & cia sempre nos ensinaram, não é mesmo? Pois é... Mas Alisson pisou na bola. Pisou na bola vermelha da Suíça e também na falha no gol de empate, pois o magrão cabeceou da risca da pequena área numa cobrança de escanteio.... Enfim, depois do Alisson, o time inteiro pisou na bola. Neymar só se jogava e chorava com a arbitragem, Gabriel Jesus praticamente não tocou na bola, Casemiro e Paulinho foram substituídos por Fernandinho e Renato Augusto que não acrescentaram em nada e, assim, o jogo ficou mesmo no 1 a 1, para tristeza de Herbert Vianna que já cantava nos bons tempos “esse jogo não pode ser 1 a 1”....
E agora, José? Agora não sei de nada. Os quatro favoritos ao título não venceram: Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha. A França, quinta força, ganhou da fraquíssima Austrália com as calças na mão por 2 a 1. Restou só a Bélgica, que tem um bom time no papel, mas não tem camisa e estreia amanhã. Assim, apesar das péssimas atuações de Brasil, Argentina e Alemanha e do laço que a Espanha tomou do Cristiano Ronaldo, acho que o título ainda vai ficar com uma dessas quatro seleções. E, como em terra de cego quem tem um olho é rei, os brasileiros ainda podem ter esperança quanto ao hexa. Porém, mesmo que o Brasil goleie todos os jogos até a final, nada vai apagar a péssima atuação do escrete canarinho na tarde de hoje em solo russo. Foi uma pisada de bola tão bisonha quanto a cometida antipaticamente por seu arqueiro.

domingo, 20 de maio de 2018

Um poema bukowskiano

Eu havia
Recém publicado
O meu último
Livro

E então um amigo
Apareceu
Pedindo um exemplar
Do livro
De graça

Eu não tenho
Eu disse
Mas e quero
Ele disse
Mas eu não tenho
Eu disse
Mas por favor, eu quero
Ele disse

Então mandei ele tomar
Bem no meio
Do
Cu
E ele nunca mais falou comigo

Perdi mais um leitor
E perdi mais um amigo
Agora
Quase não tenho leitores
E também
Quase não tenho
Amigos

E foi assim
Que tudo
Aconteceu