.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Da parte do pânico

Bom, antes de mais nada, começo respondendo aos dois comentários do meu leitor número 1, meu primo Marcos (aliás, acho que ao invés de escrever aqui, vou falar direto com ele no Facebook, pois desconfio que ele é o único leitor do blog...). Mas enfim, sobre o comentário do Brazilian Day, ele disse "nada melhor do que um Zeca Pagodinho para matar a saudades..." e eu acrescentaria que nada melhor do que o Zeca e nada pior do que a fila do banheiro (que parecia estar ali para nos sentirmos em casa). E sobre o segundo... o que era mesmo o segundo? Ah, sim, o churrasco. Bah, eu sou um gaúcho paraguaio (sem ofensas ao meu primo meio-paraguaio Francis), pois não entendo nada de fazer churrasco, só de comer. Então, o churrasco que ele fez estava bom mesmo. E sou meio sarcástico quanto ao bairrismo gaúcho de que só a gente sabe fazer churrasco. O negócio é que se a carne é boa, sendo assada na churrasqueira, a tendência é que o troço fique saboroso... Então, sei lá. Mas, sim, eles cortam diferente, mas tem as mesmas partes do boi (acho que boi é tudo igual - sou um analfabeto nisso - sei que vai vim chumbo grosso pra cima de mim por causa disso...).
E, sobre o texto de hoje, bom, se você ler vai entender o porquê estou na preguiça de escrever um texto original para o blog e vai entender o copiar - colar do texto que enviei para o jornal Meu Bairro, de Porto Alegre.
Aliás, acrescentando o que escrevi no texto abaixo, fazem dois dias que não tiro fotos aqui (a última foi na segunda de tarde e minhas aulas começaram segunda de noite, o que justifica esse fato). Ah, e teria que escrever um post novo sobre as fotos que tirei na segunda, nos Hell's Angels e no CGBC (berço da música punk). De segunda de noite até agora (quinta de noite) eu mergulhei nas minhas aulas. Na verdade, tem longas histórias nesses três dias, que provavelmente eu nunca conte, porque depois vão vir outras e outras e outras... Porém, outra coisa a acrescentar, é a recepção que foi feita aos alunos de Mestrado, Doutorado e Pós Doutorado de Steinhardt (o departamento que equivaleria aos departamentos de Comunicação do Brasil) e, realmente, as universidades brasileiras tinham que fazer um troço assim para receber os seus alunos(essa vai para os meus colegas da PUC). Digo isso porque a recepção foi num lugar tipo um pub (no estilo americano - que acho difícil achar um mais ou menos parecido com os daqui em Porto Alegre). E, resumindo, era comis e bebis (incluindo tudo o que imaginar) de graça, das quatro às seis da tarde. No fim, acabei ficando num grupinho dos alunos visitantes, que era formado por mim, um casal finlandês, uma chinesa e um alemão. Bom, gostaria de descrever mais, mas me resumo a dizer que foi uma tarde memorável, pois agora o cansaço realmente está batendo (saí de casa às onze da manhã e voltei às nove e meia da noite...).
Então, sem mais delongas, segue o texto usurpado do Meu Bairro - que tem o mesmo título desse post:

****
Não sei quando será o auge da parte do delírio, mas creio que o ápice do meu pânico em Nova York aconteceu nessa semana. Inclusive, até o momento não tinha sentido ainda, pois a viagem de avião foi relativamente tranquila (se comparada com o que eu esperava) e o dia a dia aqui é muito divertido e tranquilo. Ou seja, nada de pânico. Até essa semana...
Minha vida em Nova York estava 100% sob controle até que... começaram as aulas! Sim, na última segunda-feira foi feriado (dia do trabalho) e, assim como no Brasil dizem que as coisas só começam depois do carnaval, aqui dizem que o troço só funciona depois do dia do trabalho. Então, na terça-feira tive a minha primeira aula, com o professor Rodney Benson (meu co-orientador na NYU). Bom, já tinha conhecido ele outro dia, então, cheguei lá e me juntei aos outros alunos. Bom, quem leu meus textos antes da viagem sabe que meu inglês não é grande coisa, ou seja, consigo entender relativamente bem o que falam e tenho algumas dificuldades na fala. Logo no início da aula o professor me apresentou para a turma como um estudante brasileiro que está pesquisando aqui, etc. A aula começou (eles mantém a tradição do palanquezinho do professor) e, lá pelas tantas, veio o tradicional (cada um se apresenta). Até aí tudo bem, mas o problema é que todo mundo estava falando pra cacete. Caralho, eu fiquei bolando o que falaria, e enquanto os outros falavam cerca de cinco minutos, e fluentemente e com muita rapidez, a minha fala não durava... um minuto! Então olhei para a porta e pensei em fazer o mesmo que o Joey, do Friends, fez uma vez, em que um professor pediu para ele mostrar aos outros como se dançava como um profissional. Ele contou "1, 2 e ..." no 3 saiu correndo porta afora. Bom, óbvio que não poderia fazer isso, então, tive que respirar fundo e encarar. No fim, minha fala não saiu nenhuma Brastemp, mas me deram um desconto por eu ser brasileiro... E acho que também por ter outros alunos de outros países (tenho um colega do Afeganistão!) e entendem a minha situação.
Bom, isso foi na segunda, e na quinta-feira tive a outra aula, dessa vez com o Robert Boynton, possivelmente um dos pesquisadores e autores sobre jornalismo literário mais importantes do mundo. Ele eu conheci antes da aula e tive uma ótima surpresa: ele é totalmente receptível, conversou, contou do final de semana com a família na praia, etc. Também me apresentou para a turma de forma descontraída e se mostrou muito solícito com tudo o que eu precisar aqui. Mas, a exemplo do que ocorreu na segunda-feira, chegou a hora do pânico da apresentação. Em primeiro lugar, eu não gosto desses momentos nem quando é em português, no Brasil. Sempre falo pouco (se algum aluno meu ler esse texto vai perguntar: então por quê você faz isso com a gente? Enfim, coisas da vida. Enfim, o fato é que aqui, essa americanada toda fala pracaraí. Dessa vez, talvez por já esperar isso, acabei me saindo um pouco melhor (consegui soltar mais a língua e os alunos se mostraram interessados - acho que também porque o meu projeto tem mais a ver com a disciplina do professor Boynton). Mas enfim, o fato é que isso tudo me consumiu, e, agora, eu tenho uma porrada de textos para ler (e, como em todo o seminário de mestrado e doutorado que se preze, também tenho que participar falando, ora pois).
Para amenizar um pouco tudo isso, semana que vem começam minhas aulas de inglês, que vão ser todas as manhãs, de segunda à sexta, até o final de novembro. O lado bom é que cada vez mais vou soltando o verbo, e o outro lado é que vou ficar cansado pra cacete. Mas, dos males o menor. Hoje, sexta-feira, tenho o meu único dia de folga nessa semana, então, pretendo seguir a minha rota turística em NY. A sorte é que ando bastante de metrô, então, terei tempo para ler tudo até a próxima segunda feira (assim espero).
Bom, por hoje é isso. E quando sair o momento do delírio, eu prometo contar aqui também (se não houver censura).
Hasta!

PS: se um dia pintar umas fotos que dê para colocar aqui, para deixar o troço mais "bonitinho" eu coloco...

3 Comentários:

  • Porra alemao! Fuck German! Cazzo tedesco!

    Senti a mesma coisa quando me apresentei no meu mestrado na italia. Acabav escolhendo frases mais fáceis para evitar erros gramaticais. Mas nofim a gente se safa...

    Depois contae como vai ser passar o 11 de setembro em solo americano...cuidado com as bomba german

    Por Blogger Zaratustra, às 6 de setembro de 2013 15:17  

  • Saiu pela tangente, mas carne é carne e, no Rio de Janeiro, passei por situação semelhante, cortes diferentes, nomes diferentes, o jeito foi escolher a carne a olho e no fim deu tudo certo.
    Então tu também tem pânico de falar em público! Eu tinha mas depois de quase 30 anos dando aula passou. Estamos te seguindo. Hasta
    Fuck german!

    Por Blogger Marcos, às 8 de setembro de 2013 06:37  

  • eu tenho em inglês! auhauahuah

    Por Blogger Eduardo, às 9 de setembro de 2013 18:49  

Postar um comentário

<< Home