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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Comida indiana, fast food e brasilian food!

Bom, como prometi a mim mesmo no último post (pois não creio que alguém está lendo tudo o que escrevo), vou fazer nesse post uma espécie de making of do passeio pelas casas do Hunter Thompson. Saí de casa com o roteiro estabelecido, passei na primeira casa, conforme foi relatado no post anterior, de lá fui para o bar irlandês onde a frase que tem na frente dele diz tudo "quando você nasceu nós já estávamos aqui" e, de lá fui para o segundo endereço, que era na Thompson street, entre a Spring e a Prince. E foi aí que perdi metade da minha tarde. De início, fiquei muito raivoso com o mapa do seu Manuel, lá da Folha de SP. Porque eu segui a Brodway até chegar no trecho que fica entre a Prince e a Spring. Como a Thompson é paralela a Brodway, pensei, bom, agora não tem erro, ou é a primeira rua na esquerda ou na direita. Fui para um lado e lá estava a Mercer. Fui para o outro e estava a... adivinha? Crosby! Nada da Thompson! Peguei o mapa e olhei de novo, e de novo, e de novo, e eu realmente estava no lugar certo! Então, cadê a porra da Rua Thompson?? Comecei a perguntar, alguns não conheciam nenhuma Thompson Street, outros sabiam que ela existia, mas não sabiam onde. Então, a culpa só poderia ser do seu Manuel! Folha de SP do caralho! Estava xingando muito eles, enquanto seguia a indicação de um vendedor de barraquinha, quando peguei o mapa novamente e descobri que a culpa não era do seu Manuel, mas sim de quem planejou Nova York! Sim, pois tem duas Brodways! Se você vai para Nova York desavisado, prepare-se, tem a Brodway tradicional e uma Brodway West, que é bem mais curta. E a Thompson ficava perto da Brodway West. Depois de tanto caminhar, completamente suado, pois fazia aproximadamente 30 graus, achei o tal endereço.
O detalhe é que até então eu não tinha almoçado. Acordei sem fome, comi um pouco de batatinha (tipo Ruffles) que comprei outro dia, tomei uma Coca (só comida saudável...) e fui fazer meu dia. Mas a essa hora, depois de tanto suar, estava podre de fome. Mas, por outro lado, não aguentava mais comer fast food (hambúrguer com batata frita). Então, fui andando pela Bleecker, que era a rua que eu tinha que seguir reto durante quadras e quadras, espiando os restaurantes que haviam pelo caminho. A maioria deles coloca o Menu na frente, então, você está andando e pode parar, ver o que tem, e se te agrada você entra, se não, vai embora. E foi nessas que achei um restaurante indiano. A missão era simples: comer qualquer coisa sem ovo que não fosse um fast food. E tinha um prato que era apenas arroz, uma massa (tipo de panqueca), salada e frango.
Simples assim. "Não tem erro", pensei, e pedi o tal prato. Quando chegou, achei ele tão bonitinho, que tirei uma foto. Como estava com muita fome, comi logo umas três garfadas sem respirar. Mas, de repente, ouvi sinos tocarem e, como se eu fosse o Pica Pau do desenho, literalmente parecia que iria sair fogo pela minha boca. Fiquei desesperado e comecei a abanar a boca. Tinha uma família espanhola esperando a comida ao meu lado. Eles ficaram me olhando e riram quando eu disse "it's so hot". Eu não sabia o que fazer. Tomei a latinha de Coca que tinha pedido em um gole. Pensei em ir no banheiro e tomar a água da privada pra ver se passava. Devia estar com a cara vermelha. Cacete! Olhava para o prato e ele estava cheio! Eu não poderia comer mais nem meia grama daquele maldito prato! Odiei a Índia inteira naquele momento. Caralho, como eles comem um troço assim??? Era para ser só um simples frango com arroz!!!! Apesar do desespero, consegui pensar. Acabei optando pelo caminho mais formal: pedi pra embrulhar pra levar. Como aqui em Manhattan não tem tantos pedintes, acabei largando do lado de uma lixeira a sacola com a comida. Dez dólares jogados fora. E o pior é que o calorão não passava e eu ainda estava com fome! Cacete!
Acabei fazendo a rota do terceiro lugar e acabei no White House, o bar do Jack Kerouac e do Thompson, que mencionei no último texto, e lá, primeiro tomei uma cerveja, para passar o calorão, e depois acabei apelando para o fast food para matar a fome... Ah, e foi nesse terceiro lugar que eu encontrei a rua, que é a mesma da casa do Thompson, em que vivia um personagem no seriado Sex and City. Tinha gente fotografando o tal prédio, e havia uma plaquinha de advertência dizendo para não fazer barulho, pois lá morava gente "normal",
então, perguntei primeiro para um cara para saber quem morava lá. Ele estava tirando fotos do prédio, mas ele disse que não sabia. Foi então que avistei duas gurias mais empolgadas e fui perguntar para elas, que me questionaram: "Do you know the TV Show Sex and City?". Eu disse que sim, e então elas me explicaram que lá vivia o tal personagem, que eu não lembro o nome, porque eu não acompanhei essa série. Mas enfim, tirei foto da mesma forma...
A essa hora estava praticamente no horário do jogo do Grêmio (seis e meia pelo horário daqui). Fui reto para o bar da 28 Street para assistir ao jogo. Cheguei lá, o Henrique, um gaúcho de Lajeado mas que mora nos States desde os quatro anos de idade (há quatro em Nova York) estava lá, uniformizado. O problema era que o bar estava lotado de torcedores do Barcelona, que estavam jogando contra o Atlético de Madrid. Bom, perderíamos 20 minutos do jogo do Grêmio até terminar o do Barça.
Pegamos o gol do Neymar, e os espanhóis piraram, e começaram a gritar em coro "Neeeeeeeymar! Neeeeeeeymar!". Caralho. O cara já é ídolo catalão. Acabou o jogo e sentamos no balcão, onde em uma das 20 e tantas TVs, colocaram o jogo do Grêmio. Antes de tomar mais cerveja, tive que tomar uma Coca, pra tentar tirar ainda o gosto da pimenta indiana. Depois, chegou mais um gremista e um grego, amigo desse gremista, que também estava com a camisa do Grêmio (mesmo sem ter ideia do que fosse o Grêmio). E ali, assistimos a derrota para o Santos. Mas o mais interessante foi a conversa que tive com um romeno. O cara tem a minha idade e também lembrava da seleção da Romênia da Copa de 94, de Hagi e Cia. Eu perguntei pra ele como a Romênia nunca mais conseguiu montar um bom time. Ele me respondeu que era muita corrupção, jogadores com cabeça fraca, etc. E ele disse que vai ir para a Copa no Brasil, que é um sonho a Copa no Brasil, etc, mas disse que não sabia nada de protestos no Brasil. Por quê? Ele quis saber. A mesma resposta: muita corrupção, cabeça fraca, etc. No fim das contas, valeu o jogo mais pelas pessoas que conheci do que por qualquer outra coisa. Também descobri que tem ônibus que saem de alguns bares para ir aos jogos do Cosmos, e que o pessoal vai bebendo e cantando, etc... Vamos ver se uma hora dessas eu vou junto... E assim terminou a minha quarta-feira.
Hoje, a missão era ir até a sede da ONU. Saí de casa com uma chuvinha fraquinha, mas quando desci do metrô tinha encrespado. Então, decidi trocar a programação, pois acho que na ONU devem render boas fotos com o tempo bom, do prédio de fora, etc. E em dia de chuva nada melhor do que um... museu! O mais perto dali era o
The Paley Center for Media. E lá fui eu, conhecer esse museu, único no gênero, onde pode-se ver e assistir o acervo de programas de televisão e rádio desde os primórdios, até hoje. Pena que não dá para tirar foto lá dentro. Mas, por outro lado, acabei me tornando sócio, com acesso livre. O ingresso para um dia é 10 dólares. Eu, como estudante, paguei 50 dólares para ter acesso livre o ano inteiro, além de poder ir nos eventos que eles organizam!
Resumindo, assisti lá um pouco de cada coisa, algumas séries antigas, a transmissão ao vivo da NBC de quando chegou a primeira informação do ataque às torres gêmeas, e fiquei vendo até chegar o segundo avião (é realmente uma loucura - e é difícil assimilar a realidade do ocorrido, de tão absurdo que é, em todos os sentidos), também assisti a famosa corrida do Kentucky Derby, que originou a primeira matéria gonzo do Hunter Thompson (claro, nessa transmissão só mostram as coisas lindas, etc), e assisti a programas infantis e comerciais super cômicos dos anos 1950 e 1960, e muitas outras coisas.
Saindo de lá, novamente precisava almoçar. Mas antes, ainda fui conferir a parte de dentro da New York Public Library, que é muito linda. Tirei algumas fotos e então, como ali perto ficava Little Brazil, pensei "bom, deve ter algum restaurante brasileiro original que sirva a comida brasileira original, ora pois!". E assim, encontrei esse restaurante na 46 Street que serve com todos os pratos o arroz e o feijão.
Foi dessa maneira que finalmente tirei a barriga da miséria e saí de lá revitalizado, além de descobrir que na virada de agosto para setembro tem os eventos da Little Brazil, que inclui, nesse ano, show de graça com Zeca Pagodinho!
Bom, acho que escrevi mais da conta, mas hoje o dia estava chuvoso e abafado, então, aproveitei para colocar em dia minhas postagens por aqui....
Hasta la vista!

6 Comentários:

  • Bah, professor, só batatinha e Coca... que feio, hein. Deverias dar o exemplo aos alunos! hahaha

    Tri massa acompanhar o teu roteiro. Deu vontade de ir assistir aos jogos no bar, além de perambular pela cidade (e gritar BOMB!, mentira)

    Escreve sempre, tchê! Abraço.

    Por Blogger Pedro Henrique Costa Krüger, às 22 de agosto de 2013 18:58  

  • Ô loco, comida indiana! Provavelmente eu iria gostar, a não ser que seja muuuuito forte. Cara, de tanto caminhar por aí tu vai acabar emagrecendo, lógico, se não te entupires de batata frita, frango frito e outras porcarias. Mas deve ser legal ir aos lugares e casas frequentados pelo teu guru.Lembro que Mario Quintana foi meu vizinho em POA. Era legal ver o velhinho perambulando por ali, mas não me aproximava porque ele era introvertido, não dava papo.

    Por Blogger Marcos, às 23 de agosto de 2013 08:18  

  • Se a comida indiana é que nem a baiana, imagino como te sentiste!!
    Ô piá, tem muitas fotos c/copo de ceva, tome menos, né??? Quero uma foto de ti no central park, na frente do edifício Dakota, onde John Lennon morou! bjs

    Por Blogger Nara Miriam, às 23 de agosto de 2013 12:46  

  • auhauhaua. vo i nesse edifício, ta na minha lista d visita. pow, o mario Quintana também foi teu guru, e tu viu o cara vivo!!! porra, q massa! eu acho q nasci no tempo errado, pois todos os meu idálos são de antigamente...eeuheuheuhe
    pow, Pedro, pra te incentivar, esses dias comi um prato só d salada, de tanto q não aguentava mais fast food! abraço a todos!

    Por Blogger Eduardo, às 23 de agosto de 2013 18:42  

  • isso ae alemao! só nas french fries

    Por Blogger Zaratustra, às 25 de agosto de 2013 17:48  

  • Qual era a rua do prédio da personagem (Carry) do Sex and the City? Tu tinha que ter assistido à série antes de ir pra aí, afinal, NY é praticamente a protagonista do programa. Comida indiana é um perigo!! kkk Texana e mexicana também, não esquece.

    Por Blogger Lirian Sifuentes, às 3 de setembro de 2013 16:34  

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