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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pingos de amor

Ontem, ao ir assistir a Grêmio e San Martin no Olímpico, fiquei pensando nos meus pais. Primeiro vou contar o que aconteceu, e em seguida, explicarei porque pensei no seu Nabuco e na Dona Nara, que estão de donos do campinho lá em Santo Ângelo. É praticamente uma Hermenêutica de Profundidade. Em miniatura e hiper-simplificada, diga-se de passagem. Pronto, já estou fazendo piadinha acadêmica, tinha medo que isso um dia fosse acontecer comigo. Mas enfim.
Como foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação, caiu um toró de água por volta das 18h. Mesmo reduzindo a intensidade, a chuva prosseguiu até umas 22h. Apesar disso, por volta das 20h, saí do meu apartamento rumo ao Olímpico, com um guarda-chuva meio capenga, daqueles que protege praticamente só a cabeça. Peguei o T1 em frente da PUC e desci na frente do prédio da RBS, o que quer dizer que dei mais uma bela caminhada, pisando em poças d’água e em lajotas soltas, até o estádio Olímpico. Cheguei lá com o sapato encharcado, bem como as calças até o joelho. Mas que nada. A torcida do Grêmio, mesmo faltando mais de uma hora para o jogo, pulava e cantava: Vamos ser... outra vez nós dois. Vai chover... Pingos de amor! Laia-laia-laia-laia-laia. Grêmio, Grêmio! Laia-laia-laia-laia-laia. Grêmio, Grêmio!
E é aí que eu queria chegar. Sentado nas cadeiras do estádio Olímpico, todo encharcado, mas feliz da vida por estar ali, é que pensei nos meus pais. Primeiro pensei na minha mãe, a dona Nara. Certamente, se ela me visse, não entenderia a minha alegria por estar lá, e diria algo como: “mas o que tem de mais? É só um estádio como qualquer outro. Que tem de mais na torcida cantando? É igual a todas as outras”. Explico que ela é colorada. E acrescentaria: “vai pegar uma gripe, guri”. Já meu pai, o seu Nabuco, diria algo parecido com: “tu é bobo guri? Andar a pé nessa chuva para ver 22 marmanjos, que não te dão nada, correr atrás da bola. Eu é que não faço isso”. Mas, apesar do discurso, e de encher a boca para dizer “eu não sou gremista fanático”, sei que meu pai é fanático sim, e já fez coisas parecidas com isso. E ele também acrescentaria: “vai pegar uma gripe, guri”. Mas é por isso que eles são meus pais. E também é por isso que (olha o clichê) eu amo eles, e acho graça dessas preocupações. Porque só quem ama se preocupa se você vai pegar uma gripe, ou se você vai pegar o ônibus de volta para casa depois da meia-noite e vai andar por ruas desertas e escuras até chegar ao seu apartamento, e pensa na possibilidade de dar uma briga na torcida e te pegarem, enfim, só quem ama pensa nisso tudo. E só quem ama para, apesar das advertências, compreender isso tudo...

5 Comentários:

  • Pois é, fiquei emocionada c/este artigo!! E quando comecei a ler, já pensei: "aposto q qdo ele chegou em casa, não tomou um banho morno, trocando todas as roupas úmidas... e o tênis? será q ele se lembrou de colocar atrás da geladeira?" rsrsrsrs....
    Mas o q faz uma criaturinha passar por tudo isso por um jogo de futebol? ... sempre penso q as mulheres não têm uma paixão assim...

    Por Blogger Nara Miriam, às 14 de maio de 2009 às 13:57  

  • Olá,
    sou amiga da Melissa Bonotto, recebi o link do teu blog através dela.
    Parabéns pela maneira como tu escreves, gostei dos teus textos, ainda mais pela referência constante ao Imortal.

    Pegar toda a chuvarada, afinal, só trouxe sorte! Que bom que tu te dispôs!

    Abraço de Santa Maria,
    Delvia

    Por Blogger Delvia, às 15 de maio de 2009 às 04:26  

  • amo vce muito adorei materia

    Por Blogger muito curta, às 15 de maio de 2009 às 16:01  

  • Eu faria o mesmo Eduardo, só que pelo Inter,rs...
    Abs.

    Por Blogger juliana, às 16 de maio de 2009 às 08:49  

  • "hermeneutica de profundidade" é papo de bicha velha, rapá! deixa de papinho cabeção e escreve feito bukowski nessa porra!!!

    Por Blogger ababeladomundo, às 22 de maio de 2009 às 07:00  

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