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terça-feira, 19 de julho de 2011

Escuridão e outras histórias

Prometi no último post dar as primeiras impressões sobre Pelotas. Creio que há pontos distintos a serem considerados sobre essas impressões.
Comecemos pela cidade.
Primeiro, de início, achei bem estranha. Há muitos prédios antigos, alguns caindo aos pedaços mesmo, e diversas ruas do centro não são asfaltadas. As ruas do centro durante a noite e nos finais de semana ficam semi-desertas, mas, nos horários de pico dos dias de semana faz lembrar de alguma forma a correria do centrão de Porto Alegre (muitas pessoas caminhando frenéticamente em todas as direções com caras de ocupadas e preocupadas).
Além disso, há uma peculiaridade interessante em Pelotas: a forte presença de seres caninos. Essa invasão de cães ocorre em duas frentes principais: a dos cães de ruas e a dos cães de pessoas. Você vê com muito mais frequência do que em outras cidades pessoas passeando com cães (na coleira, no colo, ou soltos mesmo). É mais comum você ver em Pelotas alguém passeando com um cão do que com uma criança (não estou fazendo nenhum julgamento de valor, é só uma constatação imparcial). Assim como você vê muito mais cães de rua do que moradores de rua (outra constatação). Por consequência de tantos cães transitarem pelas calçadas, quando você é um recém-chegado na cidade, você inevitavelmente pisa em merdas de cachorro. Eu, em uma semana, já pisei em umas três. E, a cada uma delas, amaldiçoei todos os cachorros do mundo. "Vão cagar na puta que os pariu!", berrei em uma rua deserta no domingo de tarde. Cheguei até a entender o que aqueles caras que amarraram um cão a um carro nessa mesma Pelotas poderiam estar sentindo naquele momento... Mas não sou tão cruel. Na próxima esquina, cruzei com um cachorro de rua que veio de orelhas baixas, olhos de cão arrependido e o rabo balançando em minha direção. Não tive como não sentir compaixão e piedade. Quase peguei aquela criatura meiga e a levei para o AP para dar comida e um banho no cusco... Mas foi aí então que lembrei que não tinha luz no meu AP...
Outra peculiaridade da cidade, essa negativa: o pessoal da CEEE está cagando e andando para você. No geral, eles te tratam como um robô. Eu liguei na quinta-feira passada para o 0800 (depois de umas 50 tentativas) e solicitei para que ligassem a luz do AP que aluguei, próximo a UCPEL. A atendente dizia apenas: "o prazo para ligamento de luz é de 48 horas após o pedido". O detalhe é que as 48 horas pegariam o final de semana, ou seja, pelo que ela me explicava, poderiam ligar a luz na sexta-feira, no sábado de manhã ou só na segunda! Não teve argumento que a comovesse de que eu precisava urgentemente de luz. A cada frase minha ela retrucava "o prazo é de 48 horas, senhor". Outro detalhe: eu estava na casa do meu amigo Beck, que mora do outro lado da cidade, e estava chovendo forte. Ou seja, eu teria que deixar minha identidade e CPF na caixa de luz para ligarem a energia elétrica. O tempo passou, e nada de luz. Passei a sexta-feira e o final de semana sem luz e de plantão esperando os caras da CEEE. O ritual nesses dias foi sempre o mesmo: leituras com a luz que entrava pela janela, radinho de pilha com música tocando e, quando o sol se ia, eu ia para a rua procurar uma lan house, um lugar para comer e ver um pouco de TV antes de voltar para a minha batcaverna. Antes de dormir, até dava uma lida a luz de velas... Mas o pior ainda estava por vir...
Na segunda-feira fui assumir meu cargo de professor temporário na UFPEL, e tive que levar meu CPF e identidade. Ou seja, se os caras da CEEE aparecessem lá enquanto eu não estava em casa, iria tudo para as cucuias. E foi exatamente isso que aconteceu. Na volta da UFPEL, por via das dúvidas, passei lá na CEEE e apresentei meu CPF e identidade, o que me livraria de ter que estar em casa quando os malucos fossem ligar a luz. Mas o prazo foi renovado, ou seja, as 48 horas passaram a contar a partir de segunda-feira. Esperei os malditos (desculpem, mas não tem como chamar os caras de benditos depois de cinco dias sem luz) até às 17h, e eles não apareceram... E, resumindo a história, agora estou aqui, novamente, numa lan house escrevendo essas linhas... O pior é que fiquei numa sinuca: tomar banho frio no inverno ou deixar a catinga tomar conta até começar a me coçar feito um cão sarnento??
Diante dessa questão, achei o meio-termo: molhar a toalha e passar pelo corpo, como faziam nossos tataravós antigamente...
Mas, apesar das merdas dos cães pelas ruas e do péssimo serviço prestado pela CEEE (não vou entrar aqui no mérito das imobiliárias, porque renderia outro texto), enfim, fora isso, estou adorando Pelotas. No geral, o povo é receptivo e parece ser bem humorado e de bem coma vida. Diria que o clima é justamente uma mescla entre o interiorano de Ijuí e Santo Ângelo com o clima de agito de Porto Alegre e outras capitais. É uma pequena cidade grande. Ou uma grande cidade pequena.
E como todas as cidades gaúchas, as ruas são tomadas de beldades que desfilam para cima e para baixo deixando barbados de todos os tipos com torcicolo de tanto virar o pescoço...
Além disso, para a minha alegria, a cidade é plana e posso caminhar horas e horas sem cansar muito. Porém, tenho encontrado dificuldades em achar restaurantes e geralmente tenho caminhado uns 15 minutos do meu AP até o restaurante mais próximo (já fiz várias rotas alternativas e não encontro nada no caminho...). O pessoal aqui também já me disse para ficar atento para a semana Bra-Pel, e não vejo a hora de assistir ao clássico futebolítico pelotense... Inclusive, saí para assistir aos jogos do Brasil x Paraguai e Uruguai x Argentina e fiz grandes amigos que me deram grandes dicas (só não guardei o nome de nenhum deles...).
Ah, e gostei muito da região em que aluguei o AP, pois é bem tranquila e perto do centro. Se tudo der certo, espero ficar por aqui por um bom tempo...
Hasta, que está acabando o tempo e a lan vai fechar!

9 Comentários:

  • poha manoolo... ainda não pisei em nenhuma merda de cachorro...

    mas to concordando contigo no quesito gostar da cidade... tem clima de cidade grande, mas tbm não foge muito da rotina das menores...

    eu to bem com a luz, tanto na casa do meu pai, quanto no AP que to arrumando aos pouquitos. Por outro lado, to sem trabalho neh... hahaha... coisas da vida...

    Abraço ae manolo!

    Por Blogger Mr. Gomelli, às 19 de julho de 2011 15:47  

  • merda alemão!

    Por Blogger Silvério, às 19 de julho de 2011 16:06  

  • eh um bocozóide...eu fikei uma semana sem luz aki em fredi qdo cheguei... era mais frio q agora... eu bati na vizinha e pedi pra tomar banho huahuhauhaua e aki eh rge... são tudo a mesma merda... boa sorte e se comporte

    Por Blogger Carolina, às 19 de julho de 2011 16:43  

  • porra alemao, eu fiquei num hotelzinho meia boca atè ligarem a luz aki em joinville.

    pisar em merda de cachorro è uma bosta, tenho que concordar.

    mas a verdade è outra, e diversa

    Por Blogger Zaratustra, às 19 de julho de 2011 16:54  

  • e comenta o meu grogue alemao, porra!

    Por Blogger Zaratustra, às 19 de julho de 2011 16:55  

  • Pisar em merda, segundo os supersticiosos de plantão, pode significar muito dinheiro pela frente! Veja por este lado e fique mais alegre! kkkkkkk
    Acho engraçado o modo pelotense de falar, meio empolado,lembro de Dª Odete (minha falecida ex-sogra e pelotense da gema )dizendo: qués (queres)um docinho?

    Por Blogger Marcos, às 20 de julho de 2011 05:00  

  • Bah, Pelotas tem muito cachorro de rua mesmo! Eu, graças, nunca pisei numa bostica, senão iria ser uma merda :P A Ceee na cidade acho bem "de lua", já ouvi várias pessoas reclamarem e outras tantas elogiarem, mas o que fizeram contigo dá vontade de esganar, que raiva,hein!

    Por Blogger Marília Régio, às 20 de julho de 2011 06:22  

  • bisinho do meu Zizinho!!! C,est la vie!! td se encaixa, e o q não se encaixa, a gente vai levando.... rsrsrs

    Por Blogger Nara Miriam, às 23 de julho de 2011 06:41  

  • legal teu post; sempre que a gente chega em uma nova cidade - nova pra gente - tudo é novidade; até merda na calçada.rsrsrsr...mas os maus serviços dos entes públicos parece ser uma norma, em todas as cidades brasileiras; adorei a cidade ser plana; eu gostaria de lá. abraço.

    Por Blogger Athena, às 4 de agosto de 2011 05:05  

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