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sexta-feira, 18 de março de 2011

Só o Mestre dos Magos salva

Sempre ouvi dos escritores já consagrados a seguinte dica para quem pretende ser escritor: ler muito e praticar. Seria uma espécie de treino, você lê os clássicos, ou aqueles autores que se consagraram no estilo e gênero que você pretende ingressar e, após muita leitura, pratica bastante, escrevendo diariamente, na medida do possível, para aprimorar o seu estilo com a prática. É a teoria e a prática com um objetivo: gerar um autor com um estilo próprio. Ou seja, você lê, por exemplo, autores como Charles Bukowski, David Coimbra, Hunter Thompson, Gay Talese, Jack Kerouac, dentre outros, e vai pegando um pouco de cada, até você encontrar o próprio estilo através da leitura e prática. Porém, desenvolvendo essa espécie de treino, há um detalhe: você terá que fazer tudo isso mera e simplesmente por amor. Não há remuneração.
Vendo o jogo de quinta-feira do Grêmio contra o León do Peru eu pensei sobre isso. Os jogadores fazem praticamente o mesmo processo, só que recebendo milhares de reais, buscando uma espécie de perfeição, que nunca virá. Porém, não se exige a perfeição, mas sim, um resultado minimamente aceitável. Quem não escreve minimamente bem, nunca será publicado, a não ser que invista somas consideráveis de dinheiro para bancar uma publicação por conta própria. Mas sua carreira como escritor, nesse caso, perecerá. Entretanto, não dá para entender como jogadores que erram passes de meio metro, como os do Grêmio no jogo de quinta, recebem salários astronômicos. Eles fazem o mesmo que aqueles que querem ser escritor: treinam, estudam e praticam. Aliás, vendo jogos da Liga dos Campeões da Europa, eu acho que falta estudo para os jogadores do Grêmio e para o Renato. Eles deveriam sentar e assistir a jogos como Bayer de Monique e Inter de Milão para aprender como se faz. O Renato deveria colocar o time inteiro a assistir esses jogos, ou aos teipes de jogos clássicos da história do futebol mundial, como aquela final da Copa de 1970 (Brasil 4x1 Itália) e dizer: é assim ó. Então, eles terão tudo para serem bons jogadores: prática e teoria.
Mas, mesmo sem a teoria, é difícil entender como alguém que pratica a sua atividade todos os dias, durante todas as semanas, consegue fazer um trabalho pífio, errando passes de meio metro. Na quinta-feira, vez ou outra um jogador qualquer, digamos, o Viçosa, estava com a bola e, ao seu lado, livre de marcação, estava o Borges ou o Douglas, ou qualquer outro, em condições de realizar uma boa jogada, com liberdade, espaço e tudo o mais. Porém, ao invés dele tocar no lado, rasteirinha, simplesinho, ele tentava fazer uma jogada de craque, um lançamento mirabolante, e entregava bizarramente a bola ao adversário. É muito estressante ter que ver isso.
Sinceramente, jogando do jeito que está, não sei se não é melhor o Grêmio cair já na primeira fase. Jogando essa bolinha, no caso de um Gre-Nal na Libertadores, o Inter passará pelo maior rival com a mesma facilidade que passa por um Jorge Wistermann: com goleada. É como tirar doce de criança.
E mais: qual a explicação para o Renato colocar o Viçosa naquele time? E de manter o Escudero no banco??? Alguém pode me explicar? O Mestre dos Magos, quem sabe? Ou o Renato está forçando a barra para ir embora para o Fluminense, onde vai ganhar bem mais e vai morar com a família no Rio, ou ele está escondendo o jogo, o que é muito improvável. Com um time desses, o quê que eu faço, meus amigos?
Um bom final de semana a todos.

* Texto que será publicado no Jornal das Missões de sábado.

4 Comentários:

  • Oferta e procura, Eduardo! Mesmo com um time de pernas de pau o Grêmio coloca mais de 20 mil torcedores no Olímpico toda semana, pagando ingressos que chegam a R$ 50,00. O Bukowski, que você tanto gosta, deve ter levado anos pra conseguir vender os primeiros 20 mil exemplares. Futebol dá dinheiro, literatura, não. As pessoas se interessam por futebol, discutem na esquina, no trabalho, no boteco. Com literatura, isos acontece bem menos. Isso quando acontece! A sua crise não faz o menor sentido. De resto, nem literatura nem futebol são mera questão de prática. Tem gente que pode ler e escrever a vida toda e nunca chegará a ser nem mesmo um escritor medíocre. O mesmo pro futebol. Quem nasceu pra Obina, nunca será Eto'o. Ver a Liga dos Campeões é bom porque é como ler uma coletânea de contos de Hunter Thompson, Kerouac e Gay Talese em 90 minutos. O Grêmio entra em campo, no máximo, com um Paulo Coelho da vida. Relaxa, rapaz. Contente-se em escrever por amor e vê se descobre um jeito melhor de ganhar dinheiro. Literatura não é pra isso.

    Por Blogger ababeladomundo, às 18 de março de 2011 15:33  

  • porra alemão capixapa carioca. como assim, obina nunca será etoo?? porra! obina é melhor que o etoo! e se o inter tivesse o obina no mundial teria sido campeão. e, porra, também não precisa esculacha! comparando gremio com paulo coelho?? porra!!! aeh já ta humilhando o nosso tricolor... isso não se faz...

    Por Blogger Eduardo, às 18 de março de 2011 16:14  

  • é pq não são máquinas huahuahuahau

    Por Blogger Carolina, às 18 de março de 2011 17:53  

  • é que tanto o Paulo Coelho quanto o Grêmio são imortais

    (essa foi ótima...)

    Porra alemao!

    Por Blogger Zaratustra, às 21 de março de 2011 12:32  

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