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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Criatividade carnavalesca

Era carnaval de 2004. Ou seja, já se passaram mais de cinco anos do ocorrido. Eu e meu primo italiano Gérson, que então morava no Paraná, resolvemos, na falta do que fazer, passar o Carnaval em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Eu estava na faculdade, ainda nem tinha começado a pensar em monografia, projeto experimental, quem dirá em mestrado. Minha vida era a seguinte: algumas leituras, algumas ficadas, muitas festas, muitas bebidas, pouco dinheiro, muitas risadas, muitas parcerias, muito estresse no trabalho, muita correria, enfim, uma vida agitada e divertida, regada a muita cerveja, alguns destilados e alguns amores platônicos um tanto Charlie Brown para ocupar a mente. Como já tinha consciência naquela época, sabia que era uma das melhores, se não a melhor, fase da minha vida.
Enfim, em meio a tudo isso, combinamos de passarmos o carnaval de 2004 em Cambiriú. A expectativa era a melhor possível: praia, verão, música, mulheres em biquínis sumários, nenhum compromisso com horário, apenas acordar no meio da tarde, comer algo, dar um mergulho no mar, pegar um futebolzinho no fim da tarde a beira mar, voltar pra casa, tomar um banho, se vestir, e sair para a noite para voltar no outro dia de manhã. No entanto, havia um porém em toda essa questão: a falta de grana, pra variar. Eu estava em férias no meu emprego na Rádio Jornal da Manhã, em Ijuí, e meu primo estava em férias no Banco, em Londrina. Apesar disso, a grana era escassa. Tínhamos para pagar as diárias numa pensão barata que eu conhecia, do início dos anos 2000, quando trabalhei como mensageiro em um hotel. Tinha o telefone do cara, liguei, e fiz as reservas. Pedimos para ficar no mesmo quarto, já que eram quartos coletivos. Aliás, uns 15 quartos no primeiro piso e uns 10 no segundo. Um banheiro para cada piso. Ainda bem que acordávamos de tarde, aí não atrapalhávamos os trabalhadores desse Brasil. Se bem que também éramos trabalhadores, só que estávamos em férias. Enfim. Numa das nossas dormidas, eu acordei ouvindo gritos. Ouvia tudo, enquanto o Gérson roncava na cama dele. Um cara, que dividia o quarto com outro, pegou todas as coisas do colega de quarto e deu no pé. Só ouvi o dono da pensão falando: “bem que me disseram que esse aí tinha saído do presídio há uma semana...”. Tu vês. O Gérson não viu nada, viu apenas as morenas estonteantes que deviam animá-lo em seu sonho, pois uma baba escorria no travesseiro.
Mas essa foi apenas uma das curiosidades. Outra era a nossa criatividade diante das necessidades. Não havia cozinha, frigobar, mesa, cadeira, nada disso na referida pensão. Era simplesmente um quarto pequeno, com um guarda-roupa pequeno e duas camas de solteiro. Nada mas. E, para poupar a grana, a gente tomava Sprite dois litros com vodka Raiska antes de ir para a balada. Só que nos deparamos com um problema: o Sprite a gente podia pegar gelado, mas quando misturávamos a Raiska quente, ficava tudo morno, e a gente tinha que comprar gelo, o que era um absurdo na nossa situação. Com isso, logo de cara tivemos a idéia de ao nos acordarmos, lá pelas duas ou três da tarde, passar no mercado que tinha perto da pensão e colocar a Raiska no freezer dos sorvetes, bem embaixo, escondido. O mercado fechava às 21h, então, lá pelas 20h55 íamos lá pegar a Raiska geladinha e pronta para ser bebida, misturada ao Sprite gelado. Não resolvia por inteiro o problema, pois quando a bebida chegava pela metade já estava morna, e tínhamos que comprar um pouco de gelo, mas já reduzia os gastos com gelo pela metade, e sobrava mais para tomarmos outras bebidas dentro dos recintos festivos. Outra medida drástica era referente à alimentação. Não lembro quanto ao Gérson, mas eu comia uma ou duas torradas no almoço e fazia um lanche de noite. Tudo para não gastar. Mesmo assim, acho que voltei devendo alguns reais para o meu primo, que depositei quando recebi da rádio. Acho que depositei... enfim. Essas foram algumas das histórias daquele Carnaval, naquele longínquo 2004. Isso que eu nem falei do banho de espuma e da dor de barriga que tivemos na chegada... daria um livro, essa viagem!

2 Comentários:

  • Mas com certeza as viagens mais desgraçadas são as que rendem as melhores histórias. Não sei quanto a você, mas, para mim, as fases e fatos mais engraçados, e que valem a pena ser lembrados, nunca tem muita grana envolvida. heheheh

    Por Blogger Espaço Diverso, às 15 de outubro de 2009 às 18:24  

  • Carnaval, o que saudade...

    A nossa idéia da vodka foi genial. Tanto que quando ouvi, depois de devidamente esquecida pelo tempo, continuei achando genial.

    Isso me faz lembrar meu primeiro intercom na Bahia, no qual levei uma caixa de latinhas mornas na mochila e em cada parada do busao eu trocava nos bares por latinhas geladas.

    Ainda nesse carnaval faltou contar quando fui parar no hospital devido ao pò assassino que caia do teto podre enquanto eu dormia.

    Mas a verdade é outra e diversa e usa calça branca

    Por Blogger Zaratustra, às 17 de outubro de 2009 às 06:11  

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