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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Trepação

Os vizinhos começaram a trepar. Agora, a uma e dois da madrugada da véspera de feriado de 11 de junho. Clima de Dia dos Namorados, só pode. Eles já tinham trepado de manhã. Trepam toda a hora, pelo jeito. Acho que vou dar um livro de presente pra eles acalmarem, ou sei lá, vou deixar uma carta anônima dizendo para irem correr na redenção nos domingos de manhã. Para quem está há um mês sem ver a namorada, é uma tortura. Hoje, lá por 10 horas da madrugada (já disse que a madrugada vai até às 11h), começaram. Como não tinha barulho nenhum aqui no meu apartamento (só uns roncos tímidos da minha irmã) acordei ouvindo nhac, nhac, nhac, nhac. O movimento de vai e vem na cama. Começava devagar, ficava mais rápido, aí diminuía um pouco, aquela coisa toda que o esperto e promíscuo leitorinho tupiniquim bem conhece. Seguia nesse ritmo, até que ficava mais intenso “nhac, nhac, nhaaaac, nhaaaaaaaac” e parava. Gozaram, pensei. Ou, ele gozou, e ela fingiu, vá saber. Ou ainda, quebrou a cama e tiveram que parar. Na última das hipóteses, quebrou a cama e terminaram no chão. O fato é que quando eles trepam, escuto o nhac nhac da cama. E agora, depois de escrever sete páginas de um dos artigos que tenho que fazer até o final do mês e ver a Seleção ganhar de virada do Paraguai (gritos da torcida e brasil-sil-sil na sua cabeça), estava eu aqui, tomando uma Antártica, assistindo a um padre no programa do Jô, quando de repente começa de novo o nhac, nhac, nhac dos vizinhos. Agora pararam, mas estão andando ali por cima. Estou ouvindo passos. Um estouro. Devem estar se ajeitando na cama, trocando de posição, sei lá. Essa gente parece que não dorme.
Um dia vi os dois. Eu estava fechando a porta, quando apareceram. Segurei a porta, educadamente, para que passassem. Ela é alta, jovem, cheia de vida. Para não ficar descrevendo à toa, é o perfil de uma atriz da Globo, ponto. Soltou-me um sorridente “olá, obrigada”. Retruquei um “oi, de nada”. Já ele, que mede metro e meio, passou por mim de cara fechada, e sequer me cumprimentou. Não sei pra que tanto ciúmes nesses coraçõezinhos.
Agora que terminaram, aumentei o volume do Jô de novo. O padre está falando sobre igreja católica apostólica romana, o papa, e a puta que os pariu. Já os vizinhos, devem estar descansando. Aposto que lá pelas três ou quatro da madruga vão começar de novo com o “nhac nhac”. Pouca vergonha isso aqui. Vou dormir na sala. Mas antes disso, vou lá colocar uns livros na porta, bater, e sair correndo.

2 Comentários:

  • O alemao, que papo è esse de me citar? Explica isso melhor que nao to entendo patavinas.

    Aliàs, descobri que quem nasce na cidade de Padova aqui na italia è um patavino.

    Entao as mulheres sao patavinas.

    Mudando de assunto, eu to entendo as patavinas, mas nao entendi nada da tua citaçao po!

    abraço ae

    Por Blogger Zaratustra, às 11 de junho de 2009 15:37  

  • odeio casais felizes

    Por Blogger Carolina, às 17 de junho de 2009 19:17  

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