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segunda-feira, 16 de março de 2009

Sangue no bar do tio

Cara, comecei a escrever esse texto, e quando me dei por conta, já estava escrevendo em linguagem quase que acadêmica, e cheguei a ficar preocupado comigo mesmo, já que estamos apenas na primeira semana de aula - ou segunda, depende o ponto de vista. Então, apaguei tudo e comecei a escrever tudo de novo.
Ir ao bar do meu tio está cada vez mais emocionante, apesar do Pula-Pula ter sido literalmente expulso e proibido de voltar ao local. Quando questionei o meu tio sobre isso, ele disse que o Pula-Pula de vez em quando vai lá, da uma espiada na porta, mas ele o toca como se o sujeito fosse um cão arrependido. “Cara, eu adotei o Pula-Pula, desde que abri o bar. Ele vinha aqui, bebia do meu copo, bebia do teu copo, fazia o que queria e eu não falava nada. Mas nos últimos meses ele abusou, não deu mais. Não quero mais saber do Pula-Pula”. Ouvir isso do meu tio, me cortou o coração. Não por mim, mas pelo pobre do Pula-Pula. Apesar que, de fato, ele devia espantar, sei lá, uns 10% da freguesia do tio.
Mas não é pela expulsão do Pula-Pula que o bar do tio segue emocionante. Outro dia fui lá, fazer uma visita e tal, e logo na chegada havia um grupinho parado ao lado da porta de entrada. Sentei-me na cadeira e cumprimentei todos os meus amigos dos tempos em que morei lá: o Matheus, que vai até o bar só para ver a novela das 8; um cara que a cada vez ta com uma coroa diferente; outro que passa ouvindo música no fone de ouvido e tem uma voz de dublador de filme de comédia americano; e um quarto, que sempre está tomando uma dose de cachaça e que filosofa pra cacete. Passaram-se uns 15 minutos, quando encostou uma viatura da BM (ou PM para o resto do Brasil) a milhão. Desceram quatro brigadianos (ou policiais militares) com revólver na mão, gritando: “mão na cabeça e encosta na parede”. Uns carinhas que estavam entrando no bar acharam que era com eles e ergueram as mãos, mas aí viram que o negócio era com aqueles que eu mencionei antes que estavam ao lado da porta. Depois que os policiais fizeram a galera toda circular, meu tio comentou: “se formaram agora e querem mostrar serviço”. Já o que cada vez está com uma coroa diferente, mas que nesse dia estava sozinho, completou: “é que esses maloqueiros aí não são da banda. Eles conhecem quem é da banda, daí vieram tocar os caras”.
Eu continuei lá, quando depois de umas e outras o pessoal me contou o que havia acontecido na madrugada anterior. Um esfaqueamento.
- Foi bem aí, onde tu ta sentado - disse o filósofo, apontando para mim.
- A-aqui? – balbuciei.
- Isso rapaz, aí mesmo, nesse mesmo banco, nesse mesmo local.
Caramboles. A história foi mais ou menos a seguinte. Um cara estava jogando sinuca com um grupo, sendo que nesse grupo estava a irmã desse cara, que vamos chamar de Godofredo, em homenagem ao cachorro (ou é gato?) do Arionzinho Vagabundo. Isso nos fundos, na parte onde fica a mesa de sinuca. Já no balcão do bar, estava um outro cara, que vamos chamar de Astrogildo, e que estava acompanhado da Josefina. Então, o Astrogildo foi avisar à irmã do Godofredo que um táxi teria seguido eles até ali. O Godofredo, muito ciumento, viu os dois conversando, e foi lá tirar satisfação:
- Quê ta dando em cima da minha irmã, porra?
- Eu não to dando em cima da tua irmã, só vim avisar que um táxi seguiu vocês até aqui!
- Seguiu o caralho, não respeita a família mais, porra!? – bradava o Godofredo.
- Quem quer saber de família às cinco da manhã? – interrompeu meu tio.
Eles discutiram um pouco, até que o Godofredo voltou para o seu jogo de sinuca. No entanto, de tempo em tempo, ele ia até o balcão, e dava uma xingada no Astrogildo, mais ou menos como eu faço com o Arion. Mas o Astrogildo não é o Arionzinho. Não senhor. Numa dessas, ele esperou o Godofredo virar de costas, foi até lá, e deu um soco na cara do nigromante Godofredo. Detalhe: ele estava com uma faca na mão. Uma cachoeira de sangue começou a sair da cara do Godofredo, que tentou caminhar, mas depois de cambalear, caiu em cima do carinha que sempre está com uma coroa diferente no bar do tio, e que, como já disse, desta vez estava só na caça. Já o Astrogildo, muito nervoso, queria matar o pobre do Godofredo, porém, meu tio não deixou que algo tão terrível se sucedesse. Como o Astrogildo além de nervoso, estava muito bêbado, meu tio teve que usar toda a sua capacidade de persuasão (que estou estudando em uma disciplina na segunda-feira) para convencê-lo a deixar o bar. “Vamos lá fora, que tu mata o cafajeste lá”. O cara concordou, e saiu do bar. Porém, a chegada de uma viatura (essas viaturas estão gostando de ir no bar) estragou tudo, e o Astrogildo acabou fugindo, enquanto o Godofredo foi levado ao hospital, no entanto, passa bem.
E assim acabou mais uma, das tantas noites inimagináveis do bar do tio. Em outra delas, há aproximadamente 50 anos, um tal de Lupicínio Rodrigues rabiscava em um pedaço de papel a letra de uma música antes de ir para um jogo do Grêmio, fazendo alusão a greve dos funcionários que faziam o transporte urbano em Porto Alegre: “Até a pé nós iremos, para o que der e vier...”. Só não sei se isso também aconteceu no mesmo banco em que eu estava sentado... Vai saber?

3 Comentários:

  • Cara, tu confundiu tudo!
    Godofredo é o gato gordo, temperamental e preguiçoso da Lara. O meu cachorro é o Frederico, ou Fred para os íntimos.

    Acho que preciso conhecer o bar do tio, que provavelmente ficará conhecido como o bar do tio do Eduardo... heheheheh

    Até! E para de me xingar, isso já está ficando cansativo. Hahahah

    Por Blogger Espaço Diverso, às 17 de março de 2009 04:48  

  • não deveria escrever isso aki
    mamãe ficará preocupada!

    Por Blogger Carolina, às 19 de março de 2009 13:40  

  • ... este "bar do tio" não é ambiente p/meus fiinhos, eu já disse... se cuidem!!!
    claro q me preocupo!!!

    Por Blogger Nara Miriam, às 24 de março de 2009 17:10  

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