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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

On the road Rio 2005 - Parte 3

Segue a terceira parte da história da nossa excursão ao Rio em 2005. Quem perdeu as primeiras, é só rolar um pouco para baixo que estão todas aqui no blog. Só para lembrar, eu escrevi tudo isso na época, logo depois que chegamos. E essa foto tirada com a galera do Maranhã é do dia da referida apresentação, mencionada no texto que se segue:


Na volta para o hotel todo mundo estava bêbado, e o Laurinho não parava de gritar feito uma louca, parando nos hotéis que ficavam à beira mar parar tirar fotos com os seguranças. O Marcos e eu levamos o pessoal para o hotel (já que não tinha como ir direto de Copacabana para a Ilha), e conseguimos pegar uma condução no centro que nos levasse até a casa dele. Descendo do veículo, mesma história do dia anterior: subida, dobra, subida, dobra, curva, subida, casa. Cheguei meio bêbado, mas capotei na cama. O problema foi que acordei às quatro horas da madrugada, e só então que comecei a pensar no trabalho que teria que apresentar no outro dia de manhã. Dai em diante não dormi. Fomos para o centro às sete e meia da manhã, e de lá o Marcos foi para o trabalho e eu para a UERJ. Peguei o velho e bom 255, e cheguei na minha sala exatamente as nove horas, horário marcado para início das apresentações. Minha apresentação foi tranqüila (provavelmente por causa do álcool que ainda corria minhas veias), e conheci muita gente boa lá (em todos os sentidos). Sai de lá às sete da noite, e fui até o centro, onde peguei ônibus para a Ilha (acho que M93). Desci na parada da Casa Show, porque resolvi assistir Flamengo e Inter, que jogavam no estádio da Portuguesa. Como não sabia como chegar lá, fui num botequinho que fica em frente à Casa Show, e comprei uma cerveja de latinha. Perguntei para o vendedor e ele me explicou. Fui andando e bebericando minha latinha de cerveja. Entrei no estádio e a pelada já tinha começado. O Flamengo fez 1 a 0 e eu comemorei como se fosse um gol do Grêmio. Quase morri pulando e gritando: “UH! SAI DO CHÃO! A TORCIDA DO MENGÃO!”. Confesso que me senti ingênuo no meio da torcida do Flamengo, já que nunca tinha ouvido tanto palavrão junto em tão pouco tempo. Pelo menos foi bom para enriquecer meu vocabulário. Também pude ouvir alguns diálogos interessantes, mas semi-trágicos. Um cara que estava ao meu lado disse para o que estava ao lado dele:
- Pô, meu pai deu mó mole!
- Coé? Qual foi a parada?
- Pô, o véio comprô o ingresso mas não veio. Mó vacilão.
- Pô, seu coroa deu mole mesmo. Mas porque ele não veio?
- Não conseguiu se levantar de drogadão que tava.
Já do meu outro lado um outro torcedor contava para o amigo que tinha ficado com uma pilha de ingresso que não conseguiu vender no lado de fora. “Pô, os home me gritaram: que que ta pegando ai? Que que ta pegando ai? E eu: nada cumpadi. Tô limpo. Só vo ve o Mengão malandro. O cara respondeu: to de olho em ti cumpadi”.
Em meio a cantorias, conversas curiosas e palavrões, estoura um rojão que quase me deixa surdo. Um começo de correria chega a acontecer, mas não passou de um susto. A polícia chega, da uma olhada no local onde o rojão explodiu, enquanto três jovens (ou crianças?), que aparentavam ter não mais de 13 anos, se matavam rindo poucos metros ao lado. “Caraca maluco. E se os cara te pegam”, fala o primeiro. “Maluco, eles não são tão espertos”, responde o outro. O tumulto desaparece, e os olhos e a atenção se voltam novamente para o jogo, que é sofrível. No segundo tempo o Inter empata, e após sofrer o gol a torcida do Flamengo resolve homenagear os gaúchos com gritos do tipo “gaúcho viado” e “Uh! Uh! Uh! Gaúcho chupa cu”. Achei estranha a expressão “chupa cu”, já que lá no sul quando vão xingar alguém chamam de “pau no cu”. Mas tudo bem, é a diversidade cultural desse Brasil enorme. Depois, os cariocas desistem de xingar os gaúchos e resolvem se revoltar contra o próprio Mengão, que não acertava nem passe de meio metro. O Inter jogou melhor, e inexplicavelmente acabou não vencendo. Assim que o juiz apita o final do jogo, saio do estádio e vou reto no primeiro vendedor de cerveja:
- Uma latinha.
- Tá na mão. Pô, o Mengão tá foda né cumpadi?
- Pô, nem brinca. Desse jeito vai cair – respondo tentando forçar um sotaque.
Vou até a parada em frente à Casa Show, e de lá pego uma van para ir até o hospital que fica perto do Marcos. Pedi para o motorista me avisar quando chegasse o hospital, até porque não achei o prédio com cara de hospital. A van anda, anda, anda, anda e nada. Gente sobe, gente desce, e eu lá. Passo por uma praia, bonita até. Mas não lembro de ter passado por aquele lugar nas outras vezes. “Vai ver está fazendo outro caminho”, penso. Quando ficou só eu dentro da van, o motorista resolve olhar para trás e diz:
- Pô cumpadi. Você ainda tá ai? O hospital passou faz tempo. Pô! Você deu mole. Por quê não me avisou?
- Pô, mas eu avisei. – respondi forçando o sotaque carioca.
- Você é novo na Ilha?
- Pô, pode crê.
- Tá bom, vou levar você até lá.
Andamos menos de meia hora e cheguei no hospital. Dei um real a mais pelo incomodo. Tá bom, é pouco, mas é o que eu tinha. Desci da van e enxerguei aquele monte de subida que esperavam pelos meus passos. Dessa vez cheguei em casa não passava muito das onze da noite. Dormi depois que o Marcos chegou, lá pela meia-noite e meia. Sexta-feira eu já ia definitivamente para o hotel, já que no sábado iríamos voltar para Ijuí. Meu plano era largar as coisas no hotel, não dormir, e só ir para o ônibus de manhã, quando nossa excursão partisse. Mas antes de tudo isso teria que deixar a casa do Marcos. Tarefa aparentemente fácil, se não fosse o fato de que na hora em que eu ia sair não tinha mais ninguém em casa.(segue)

2 Comentários:

  • Caro Eduardo Ritter, tudo bem?

    Quero convidá-lo a fazer parte dos colunistas do Portal www.jornalismopolitico.com que vai ao ar, em versão Beta, amanhã [29]. Caso o amigo tenha interesse em colaborar; suas matérias de qualquer assunto serão postadas diariamente.

    Contando com sua colaboração,

    Paulo Zildene
    Jornalista
    DRT-MTb: 1670
    e-mail: paulozildene@jornalismopolitico.com

    Por Blogger Jornalismo Político, às 28 de outubro de 2008 07:42  

  • boa, ehehe, to curtindo...

    abraço alemao

    Por Blogger Zaratustra, às 4 de novembro de 2008 08:21  

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