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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Middlemarch – Parte 7 – Duas tentações

 


Esse é o capítulo com a narrativa mais linear e, creio, será o resumo mais curto de todos até aqui. Desta vez, os casais platônicos Dorothea/Ladislaw e Fred/Mary são praticamente deixados de lado, e a história gira quase toda em torno do casal Lydgate, de Bulstrode e do Sr. Raffles.

Em síntese, o cerco financeiro em torno de Lydgate aprofunda a crise no casamento dele com Rosy, que tenta resolver o problema à sua maneira, às escondidas, mas só piora a situação. Um exemplo disso é quando ela escreve ao tio de Lydgate pedindo as mil libras que salvariam o casal financeiramente, e ele responde com uma carta dura, dizendo lamentar que Lydgate estivesse tentando usar a esposa para conseguir um empréstimo. Ao ler a carta do tio, Lydgate perde a paciência com a esposa, que por sua vez, o acusa de não ter avisado que depois do casamento eles passariam por aquilo, fazendo com que o médico se sinta culpado e recuando na discussão.

Sem mais delongas, a situação de Lydgate se cruza com a relação entre Bulstrode e o Sr. Raffles. Este segue atazanando a vida do banqueiro, que continua lhe dando alguma quantia para mantê-lo afastado. Até que o Sr. Raffles fica doente e é levado para a fazenda de Bulstrode por Caleb, que o encontra cambaleando pela estrada. Enquanto delira por causa da doença (resultado de muita bebedeira), ele conta tudo ao operário, que, ao avisar Bulstrode de que um antigo conhecido seu estava doente na fazenda, aproveita para encerrar qualquer tipo de relação profissional e pessoal com ele, partindo do pressuposto de que o Sr. Raffles já havia contado sobre o passado do banqueiro. Como Caleb é discreto, ele não pretende espalhar nada.

Depois disso, Lydgate pede dinheiro emprestado - justamente as mil libras - a Bulstrode, que é rude e se recusa a emprestar, sugerindo que o médico se declarasse insolvente. Lydgate fica arrasado, mas Bulstrode se depara com o Sr. Raffles muito doente e manda chamar o médico. Em resumo, para garantir a simpatia de Lydgate - caso o Sr. Raffles dissesse alguma coisa -, Bulstrode acaba emprestando as mil libras ao médico. Lydgate dá orientações claras sobre os cuidados com o Sr. Raffles, mas Bulstrode, quando a empregada pede permissão para dar uma bebida ao doente (mesmo com a proibição médica), autoriza. Com isso, o Sr. Raffles amanhece morto.

O problema é que, em Middlemarch, antes de adoecer, o Sr. Raffles, já bêbado, havia contado toda a história a um sujeito qualquer, que rapidamente espalha a fofoca (uma grande parte desse capítulo detalha como a fofoca se espalhou). Logo se cria o escândalo: o passado de Bulstrode é marcado por corrupção (incluindo o roubo da herança de Ladislaw), e Lydgate passa a ser visto como cúmplice da morte do Sr. Raffles, em função do empréstimo das mil libras.

Como a peste está se aproximando do povoado, ocorre uma reunião do conselho da cidade para decidir a compra de um terreno que servirá como cemitério coletivo. Antes mesmo do início da reunião, os membros deixam claro que não querem mais Bulstrode no conselho por causa do escândalo, e Lydgate percebe que muitos acreditam que ele tem algo a ver com a morte do Sr. Raffles. O Sr. Brooke estava presente e, ao final, vai conversar com Dorothea, contando tudo. Ela, por sua vez, afirma confiar na inocência de Lydgate.

Agora, faltando cerca de 100 páginas para o fim, eu apostaria que Ladislaw acabará sendo beneficiado pelo escândalo, recebendo dinheiro de Bulstrode e, assim, finalmente se casando com Dorothea. Fred, por sua vez, deve acabar com Mary. A pior situação é a de Lydgate com Rosy, pois, mesmo quitando a dívida, ela não aceita reduzir o padrão de vida de dondoca e eles seguem sem se acertar. Aguardemos as próximas páginas.

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