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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Middlemarch – Parte 4 – Três problemas amorosos


 

Não vou me preocupar em contar e apontar quais são os três problemas amorosos. O fato é que, chegando na metade da narrativa, alguns enigmas vão sendo resolvidos, enquanto surgem novos. Primeiro, é resolvida a questão da herança do velho Peter Featherstone. Estão todos lá para o enterro e, então, dois irmãos e o advogado sobem para o quarto para pegar o testamento e voltam com os dois documentos encontrados. O primeiro - mais antigo - divide os bens e o dinheiro dele entre vários parentes, sendo que uma boa grana vai para Fred. Contudo, as terras vão todas para o tal de Rigg, descrito como se parecesse um sapo e que, mais tarde, é revelado ser um filho bastardo do velho. Mas, como o segundo testamento não foi queimado por Mary, como o velho pediu no leito de morte, é ele que fica valendo, por ser o mais atual. Nele, são divididas apenas ninharias entre os parentes (incluindo Fred) e todo o resto vai para o filho bastardo, que ainda deve acrescentar Featherstone ao seu sobrenome.

Fim de questão. Todos ficam putos e Mary fica meio encabulada, pois, no fim, ela acabou ferrando Fred (numa “vingança” sem querer por ele ter acabado financeiramente com a família dela). Mas o que ela passa a sentir é remorso - até porque, se Fred tivesse recebido o dinheiro do primeiro testamento, teria como quitar a dívida com a família de Mary.

Então, o prefeito, pai de Rosy e de Fred, também fica de mau humor e diz pro guri dar um jeito na vida, pois não herdou porra nenhuma do velho e, no embalo, se posiciona contra o casamento de Rosy com Lydgate, que ele havia aceitado de bom grado anteriormente. Mas, sobre o casamento, logo Rosy e a mulher o convencem o Sr. Vincy do contrário - porém ele segue deprimido, com a postura de: “então casem, só não me peçam um centavo”.

Bom, o resto do resumo não vai seguir a ordem cronológica do livro, pois vou escrever conforme for lembrando. Primeiro, o casamento entre Rosy e Lydgate avança, marcado para ocorrer em seis semanas a contar da morte do velho. O padrasto do tal de Rigg, o herdeiro, aparece querendo um pedaço da herança, mas é enxotado pelo enteado, pois ele apanhava do padrasto quando era criança. O sujeito sai rindo, sendo xingado, além de ser advertido para não chegar mais perto de sua mãe - pelo jeito, é um gigolô malandro.

Aí Fred fica naquelas de ter que achar o que estudar: cresce a pressão para ser padre, mas ele não quer, enquanto o seu casinho com Mary dá uma esfriada (mais para o final do capítulo, a família de Mary conta para o pároco que ela não queimou o segundo testamento, e fica a dúvida se ele vai fazer fofoca para o Fred, mesmo tendo pedido segredo). Rosy fica noiva de Lydgate.

E aí as duas novas tramas: primeiro, envolvendo o Sr. Brooke e o seu desejo de ingressar na política. Outros personagens, como o Sr. James, tentam interferir, tentando fazer com que ele desista. Além disso, o Sr. Brook contratou Will (sobrinho de Casaubon) para ser jornalista do jornal que ele comprou. Casaubon — volto nele daqui a pouco — diz para ele desistir da empreitada, mas Will não segue o conselho intimidatório do tio (que, na verdade, é primo em segundo grau).

Voltando ao Sr. Brooke: ele está firme com a história de se candidatar, e os outros estão firmes em tentar fazê-lo desistir. Pelo que entendi, o medo é que, além de jogar o nome na lama nos embates políticos, ele ainda perca dinheiro e deixe as fazendas de que é dono (mas que “empresta” para outros administrarem) ainda piores do que já estão. Numa dessas, o Sr. James escreve para Caleb Garth (pai de Mary e das outras crianças) dizendo que o Sr. Brooke quer que ele assuma duas grandes fazendas e um bom pedaço de terra - o que lhe renderia um belo salário que resolveria seus problemas financeiros.

Eu suspeito que tal proposta foi feita sem o conhecimento do Sr. Brooke, numa das manobras que Sr. James e outros estão fazendo para tentar forçar o Sr. Brooke a desistir da candidatura. E, ao mesmo tempo, Mary tinha recebido uma proposta para ser professora em outra cidade, que ela iria aceitar, mas o pai a convence a desistir, pois não vai mais ser necessário fazer tal sacrifício em nome da família, afinal, eles logo serão “ricos” com o emprego de Caleb nas fazendas. Acontece que, se não for verdade a proposta, eles vão estar mais ferrados que nunca. E, empolgados pela notícia, eles também mandam o pároco dizer para que Fred não se preocupe, pois rapidamente irão conseguir repor o dinheiro perdido por ele… Esse é um dos enigmas que ficou em aberto.

 

O outro, mais para o final, envolve o casal Casaubon. Como já mencionado, o Sr. Casaubon está doente. Contudo, em outra parte do capítulo, Will faz movimentos de aproximação a Dorothea e ele percebe isso e, assim, acontece o embate em que Casaubon solicita que Will desista e não aceite o emprego como jornalista. Enfim, não vou me aprofundar nesse embate, em que Will consegue a simpatia de Dorothea e tal, mas, em certo trecho, o Sr. Casaubon reflete e fica claro que ele saca tudo: o interesse de Will em Dorothea e como ela, ingenuamente, estava caindo na dele - além da preocupação com a própria saúde.

Assim, ele chama Lydgate para “passar a real” sobre a saúde, e o médico explica que não tem como prever, mas que é grave e pode ocorrer morte repentina. Casaubon, então, parece focado em afastar Dorothea de Will (a essa altura ele já proibiu o parente de pisar na sua casa), pois saca que ele quer matar dois coelhos com uma cartada: ficar com a mulher e com as posses dele assim que ele bater as botas. Contudo, ele não se aproxima da esposa, que começa a se sentir frustrada e com raiva do marido.

E termina com os dois, cada um vivendo seus pensamentos: ele, percebendo a “conspiração” de Will e vendo como Dorothea está caindo como uma patinha; e ela, com raiva do marido que não se aproxima, não quer saber o que ela pensa e nunca leva em consideração as vontdes e sentimentos dela para nada.

E, assim, termina a quarta parte, chegando na metade do romance. Provavelmente esqueci de outras histórias paralelas e detalhes, mas, enfim, não posso fazer um resumo de 300 páginas de um livro de 900…

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