O Totó do futebol?

São muitos os casos de amor, suspeitas e traição na literatura e na dramaturgia nacional e internacional. Numa das mais clássicas, em Dom Casmurro, de Machado de Assis, o personagem Bentinho termina o romance sem saber se foi ou não traído por Capitu. Poderíamos dizer que ele é o corno imaginário: mesmo que na realidade ele não fosse corno, ele passou a ser, pois, na sua imaginação, ele age como um corno. Como diria algum filósofo qualquer: cornice é um estado de espírito.
Mas não é só na ficção que a literatura conta com cornos. Hugh Hefner (foto), fundador da Playboy, por exemplo, muito antes de ter a idéia de exibir as beldades americanas nuas em páginas de papel na década de 1950, era um simples funcionário de alguma empresa qualquer, noivo de uma mulher comum.

Já os mais devassos, como o americano Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutierrez, não se importam muito com relacionamentos. Caso alguma mulher os traísse, eles diriam para elas algo como “mas e desde quando nós temos algo além de sexo?”. Outros sofrem até a alma, como o francês Alexandre Dumas filho, autor do clássico Dama das Camélias, em que ele narra o relacionamento que teve com uma prostituta na década de 1840. Para ele, tudo era motivo de desconfiança, desconforto e pânico, entretanto, amava a cortesã como poucas vezes se viu alguém amar uma mulher na literatura universal.
Enfim, vendo tudo o que está acontecendo entre o Grêmio e o Ronaldinho Gaúcho, fico me perguntando: que tipo de corno o Grêmio é? Foi traído até a alma pelo seu ídolo há exatos 10 anos e, agora, simplesmente esqueceu de tudo em uma crise aguda de amnésia. Será que o meu professor Juremir Machado da Silva tem razão, e o Ronaldinho é a Clara da novela das oito enquanto o Grêmio é o Totó? Será que perdoará o Ronaldinho e voltará a ser traído, da mesma forma que o personagem de Toni Ramos?
Ah, e feliz ano novo a todos!
Texto publicado no Jornal das Missões de hoje.
2 Comentários:
Seria o Assis o Fred, doido por dinheiro, capaz de tudo por ele?
Humberto Gessinger fez uma música pra volta do Ronaldinho pro Grêmio e no final ele diz "e se não vier nós vamos de Clementino"... pelo menos foi uma boa jogada de mkt (ou markeNting como dizia aquela professora Edimara), já entrou um bom dinheiro com a propaganda hehe.
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Dilea Pase, às 3 de janeiro de 2011 às 16:07
huahauahauahaua jogada de markinting, nunca vamos nos esquecer dessa!
Eduardo tu anda noveleiro hein???? podia vc escrever uma novela que essa passione aí tá me enchendo o saco!
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Aline, às 4 de janeiro de 2011 às 11:58
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