O calhorda

Resumindo, Mosab Hassan Yousef era filho de um dos xeiques-fundadores do Hamas, que surgiu com objetivos mais saudáveis do que explodir carros e homens bombas em meio aos civis israelenses. Yousef conta toda a história do grupo terrorista e, por ser filho de um xeique, ele participava das reuniões da Autoridade Nacional Palestina com os grupos terroristas, etc. Enfim, é muita coisa para escrever aqui, portanto, para saber mais, leia o livro. Entretanto, em um dos pontos, ele passa o caráter real de Yasser Arafat. Para ele, o líder da ANP fazia um jogo de cena para o público e para a imprensa internacional, enquanto ferrava com o seu povo. Por exemplo: dizia para a imprensa internacional e para os líderes das potenciais mundiais que reprimia o terrorismo, enquanto ele mesmo financiava e cedia seus próprios homens para promover atos terroristas.
Vejam só o seguinte trecho:
A Conferência de Cúpula de Camp David entre Yasser Arafat, o presidente americano Bill Clinton e o primeiro-ministro israelense Ehud Barak terminou em 25 de julho de 2000. Barak ofereceu a Arafat cerca de 90% da Cisjordânia, toda a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental como capital de um novo Estado palestino. Além disso, um novo fundo internacional seria criado para indenizar os palestinos pelas propriedade que haviam perdido [no passado]. Aquela oferta de “terra em troca de paz” representava uma oportunidade histórica para o sofrido povo palestino, algo que poucos teriam ousado imaginar que fosse possível. Mesmo assim, não era o suficiente para Arafat.

A rejeição da oferta de Barak por parte de Arafat foi uma catástrofe histórica para seu povo, mas o chefe da Autoridade Nacional Palestina voltou para o seio de seus correligionários linha-dura como um herói que desdenhara o presidente dos Estados Unidos, algéum que não havia recuado e feito concessões, um líder que enfrentava o mundo inteira de maneira obstinada. [...] Naquela época, eu acompanhava meu pai nas viagens e nas reuniões com Arafat e comeei a ver com meus próprios olhos como aquele homem amava a atenção da mídia. Ele parecia adorar ser retratado como uma espécie de Che Guevara palestino, um indivíduo à altura de reis, presidentes e primeiros-ministros, e deixou claro que desejava entrar para a história como um herói.
Ao observá-lo, eu costumava pensar: “Que ele seja lembrado em nossos livros de história não como um herói, mas como um traidor que vendeu o próprio povo e se aproveitou dele. Como um Robin Hood às avessas, ele saqueou os pobres para se tornar rico. Esse péssimo ator comprou seu lugar na ribalta com sangue palestino (p.146-147).

14 Comentários:
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Aline, às 23 de novembro de 2010 às 17:14
Realidade antropofágica!
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Aline, às 23 de novembro de 2010 às 17:16
manolo... tu tava beudo qndo escreveu isso neh? ashauhsuahsa
mas enfim... o pelé é gêio cara e o Romário um bostão...
e quanrto aos palestinos, sou da opinião que nada que o mundo faça vai resolver aquilo lá... são uns lunáticos, fanáticos, com causas estranhas...enfim...
abraço ae!
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Mr. Gomelli, às 23 de novembro de 2010 às 20:08
*gênio
foi isso q eu quis dizer que o pelé é, só pra esclarecer...
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Mr. Gomelli, às 23 de novembro de 2010 às 20:09
pelé era gênio só com a bola no pé. fora de campo é bom caráter, mas ingênuo. beudo ta quem acredita na lorota que o "Pelé parou a guerra". le o livro q tu vai entende melhor, e vai entender melhor os palestinos e o oriente. abraço
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Eduardo, às 24 de novembro de 2010 às 04:40
interessante muiiiiiiiiiiii interessante, como tb não entendo bem as guerras naquelas regiões, acredito mesmo que ninguém que esteja no poder se preocupe mesmo com a população...é irracional tudo aquilo, irracional como o Estado Brasileiro...
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Carolina, às 24 de novembro de 2010 às 04:45
Cara, todo herói é um pouco canalha. O heroísmo é uma construção. Tem um documentário interessante sobre o Che Guevara, chamado Personal Che, que mostra como o cara é visto como santo - santo mesmo, as pessoas oram pra ele, fazem pedidos, atribuem milagres - por bolivianos pobres e, ao mesmo tempo, é adorado por grupos neonazistas alemães que o comparam a Hitler. Só estou falando isso pra dizer que a construção de um herói exige a desconstrução do homem, do ser humano falível - não raro, fraco e inseguro - por trás daquela imagem. Isso é uma coisa. Outra coisa é a força mobilizadora que essas imagens exercem nas multidões. Não é um processo racional. Aliás, bem pouca coisa na história da humanidade - e na vida da gente! - é racional. Eu vi uma entrevista do autor desse livro que você está comentando na Globonews. Acho que ele é tão calhorda quanto aqueles que critica. E acho que tem um conflito edipiano mal resolvido. Eu não gosto de discutir o conflito árabe-israelense. A visão que nós - ocidentais, cristãos - temos desse assunto é muito limitada. Já vem filtrada por uma visão que tende a colocar os israelenses como o povo sofrido que sobreviveu à tragédia do holocausto e os árabes com os fundamentalistas malucos que jogam aviões contra prédios cheios de civis. O mundo não é assim, tão preto no branco. Olhando de fora, é muito fácil considerar aquilo tudo uma imensa estupidez. Mas pra quem nasceu e cresceu naquele universo, pra quem foi alimentado por uma longa história de ódio e conflito, deve ser bem difícil manter a distância crítica e o discernimento. Visitei, na semana passada, a exposição que está rolando no Centro Cultural Banco do Brasil aqui do Rio sobre o Islã. É uma história brilhante, cara. Uma cultura foda. Não tem nada a ver com fundamentalismo. A tolerância religiosa foi um dos critérios mais respeitados nos primórdios da religião islâmica. A riqueza cultural de Portugal e Espanha deve muito à influência da cultura árabe. Eu tenho convicção que a agressividade ocidental é que criou o monstro fundamentalista. Acho que não houve fundamentalismo mais imbecil que aquele que moveu os católicos durante as cruzadas, por exemplo. E acho também que você tem todo direito de discordar de mim. Abraço, cara.
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ababeladomundo, às 24 de novembro de 2010 às 05:33
Já tinha pensado em ler esse livro, agora me deu mais vontade ainda...
ps: adere à ideia do Mr. Gomelli de colocar o +18 nos teus textos! Minha mãe leu esse do calhorda e disse "teu colega escreve muito bem, vou ler tudo" eu não deixei huahuahauhauahau.
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Dilea Pase, às 24 de novembro de 2010 às 08:49
ah!!! Encontrei um blog bem interessante. Desilusões perdidas que fala sobre a vida (real) dos jornalistas. Bom pra rir da nossa própria cara.
http://desilusoesperdidas.blogspot.com/
Inté
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Dilea Pase, às 24 de novembro de 2010 às 08:53
fala ababelado! mas eu concordo, a´liás, "A tolerância religiosa foi um dos critérios mais respeitados nos primórdios da religião islâmica", isso fica claro quando ele conta como foi a fundação do hamas, que bem depois virou um grupo radical. enfim, só fiz um recorte do livro, pq ele abrange muito mais. por isso, mesmo com o autor sendo um calhorda, sigo recomendando, pois eh mto esclarecedor para entender a cultura islamica e nao vermos eles como simples "malucos"
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Eduardo, às 24 de novembro de 2010 às 10:41
Eu também exagerei ao chamar o cara de calhorda. Achei aqui a tal entrevista dele pra Globonews. Se alguém quiser assistir, antes de ler o livro, talvez valha a pena.
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1598599-17665-314,00.html
Abraços!
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ababeladomundo, às 24 de novembro de 2010 às 11:20
Acho que sei lá....é como gre-nal, um quer o fim do outro.....desde 1000AC
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Silvério, às 24 de novembro de 2010 às 15:51
Isso se aplica praticamente a todos os políticos, caro Dudu!
Os caras não podem ver um microfone ou uma câmera de tv, que querem aparecer! O povo?
É um mero detalhe,massa de manobra para que ele alcançe os seus objetivos.
E lá no oriente é pior, os caras são fanatizados para se imolarem em nome de um ideal religioso.
Ah! Concordo que o Pelé é gênio, com a bola nos pés. Calado é um poeta, entende.
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Marcos, às 25 de novembro de 2010 às 03:48
a maioria dos q gritavam Free Palestine no FSM seriam mortos se vivessem em um país islâmicos: mulheres, maconheiros, gays... todos de bandeirinha. eu tb vi, mas não participei, nunca cai nesse papo.
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Fábio Ritter, às 27 de novembro de 2010 às 14:40
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