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sábado, 16 de outubro de 2010

Medo de avião; vagabundagem e sexo

De bobeira, comecei a ler Avião – Viaje sem medo, de Elvira Gross. O livro é da minha mãe. E, após ler 30 páginas, ainda não perdi o medo de avião. Entretanto, a descrição que autora faz dos pensamentos de quem tem medo (como eu) é perfeita. Por exemplo: eu fico olhando a cara dos comissários, para ver se eles estão apavorados ou não, e, no meu julgamento, eles sempre estão com cara de apavorados, o que quer dizer que o avião está prestes a cair! Em outro trecho, a autora afirma que na maioria dos casos a pessoa sente medo após viajar várias vezes de avião. Realmente, a primeira vez em que viajei, não senti medo nenhum. Achava tudo normal. Porém, na medida em que viajei mais vezes, passei a adquirir esse pânico de avião. Ainda faltam 100 páginas para terminar de ler o livro, então, ainda tenho esperanças.
Mas comecei abordando essa obra justamente para falar dos livros de auto-ajuda. Confesso que gosto deles. Já li vários. Para mim, a maioria não funcionou, mas fazem eu ver que tem mais gente louca como eu. Tenho aqui, por exemplo, Pai Rico, Pai Pobre e Guia do Investimento, os dois do mesmo autor, e, até agora não fiquei rico. Também tenho Casais inteligente enriquecem juntos. Curti muito, mas também não enriqueci. Porém, sabendo o que esses livros tratam, tenho consciência do que estou fazendo errado.

Agora descobri um autor de auto-ajuda um tanto inusitado: Albert Cossery. Na real, não é um autor declarado de auto-ajuda, mas, como vocês verão, não deixa de ser uma espécie de auto-ajuda. Conforme o Wikipedia: “Albert Cossery (Cairo, 1913 - 2008) foi um escritor egípcio em língua francesa. Considerado um mestre do escárnio. Albert foi também um profeta do prazer e da preguiça. Desde 1951 habitava o mesmo quarto do hotel La Louisiane situado no coração de Saint-Germain-des-Prés em Paris. Foi amigo de escritores como Boris Vian, Jean Genet, Henry Miller e Albert Camus, sendo admirado por todos eles”. Ou seja, ele ensina a arte de ser preguiçoso. Como ser feliz, sem sentir culpa, sendo preguiçoso. Muito bom. Assim que tiver alguns trocados no bolso vou comprar um de seus livros traduzidos para o português, como Mendigos e Altivos. Veja só a sinopse dessa obra: “A miséria como questão de honra. A mendicância como estilo de vida. Na periferia do Cairo, vive uma multidão totalmente à margem do que se considera a vida civilizada. Entre eles Gohar, um ex-professor universitário que abdica de sua confortável posição para adotar a vida de mendigo e acaba arrebanhando um pequeno séqüito de seguidores. Ou Yéghen, poeta e traficante de haxixe cujo cotidiano inclui diversas entradas e saídas da cadeia. Ou ainda El Kordi, pequeno funcionário público com pretensões de transformar o mundo. Em comum entre eles, a recusa radical ao modo de vida burguês e uma forma peculiar de ostentar o mais impressionante tipo de orgulho em meio ao mais profundo abandono”. Genial, genial.

Por fim, chego ao jornalista Maurício Sita, autor de “Como levar um homem à loucura na cama”, que esteve nessa semana no Programa do Jô. Além de jornalista, Maurício estudou psicanálise, meditação, direito e filosofia, o que lhe dá bons créditos para suas considerações. Na entrevista, que está disponível no site do programa, Maurício explicou que o livro foi escrito a partir de entrevistas feitas com homens e é adaptável apenas aos casais heterossexuais. Não cheguei a ler o seu livro, mas concordei com muitas coisas que ele falou. Primeiro, comentando o sexo oral, que ele mesmo chama no livro de boquete, ele teve uma breve discussão com o Jô, argumentando que tanto o homem quanto a mulher podem sentir prazer enquanto... chupam. O Jô ridicularizou o seu argumento, enquanto ele explicava que, quando o casal está completamente ligado, excitado, se querendo, enfim, quando há uma sintonia perfeita entre o casal, os dois vão sentir prazer fazendo o sexo, seja lá como for, desde que os dois gostem, e, quando eles estão muito ligados, o boquete é bom para os dois. Simples? Não parece, pois a maioria dos casais não se satisfazem sexualmente, conforme o autor. Outro ponto abordado por ele, referente ao boquete, é que a mulher deve chupar olhando para o homem. Confesso que nunca tinha prestado atenção se é melhor com ela olhando ou não olhando, mas, ao ouvir tal afirmação, realmente, acho melhor quando olha. Essa afirmação vai ao encontro de outra teoria, que li não lembro onde, de que o homem sente um prazer mais relacionado ao visual, ou seja, tem que ver o que está comendo, enquanto a mulher tem um prazer mais relacionado ao contato físico, ao abraço apertado, ao beijo na nuca (beijo do macaco do Serginho Malandro), a “pegada”, etc.
Enfim, como o vagabundo leitorinho não gosta de textos longos, concluo esse post salientando que os livros de auto-ajuda geralmente são escritos por pessoa que estudaram (economistas, psicólogos, consultores financeiros, etc) e que tem o aval de estudos sólidos para escrever tais obras. Aliás, lembrando Eisenstein, em Revolução da cultura impressa (1998), desde o surgimento da imprensa o homem imprime manuais do tipo “faça-você-mesmo” e outros tipos de auto-ajuda relativos a questões ligadas à época de Gutemberg. Ainda pretendo fazer psicologia para estudar os livros de auto-ajuda... Um dia eu chego lá!

4 Comentários:

  • Eu nunca andei de avião. Logo, n tenho medo. huahauahaua

    Por Blogger Aline, às 16 de outubro de 2010 11:35  

  • Aqui tem mais sobre Boquete/Panamá:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Boquete,_Chiriqu%C3%AD

    Por Blogger Silvério, às 16 de outubro de 2010 16:11  

  • Porra alemao...já dizia o grande cantor, compositor, poeta, profeta e porreta Belchior "foi por medo de avião\que eu segurei pela primeira vez a sua mão \ um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim \ que coisa adolescente: James Dean"

    A auto-ajuda na verdade funciona só pro escritor, porque o próprio livro o ajuda a ganhar dinheiro.

    Quanto ao boquete, é uma coisa que tá na boca do povo...

    Porra alemao!

    Por Blogger Zaratustra, às 17 de outubro de 2010 15:32  

  • ashauhsuahsuhausa... cara... eu to rindo aqui do final do coments do Zaratustra... aushaushausha


    que doidera... perdi essa entrevista do Jô caraa... poutz...hehehe

    sobre auto-ajuda, como acho tudo uma tremenda bobagem, nunca vou conseguir ser ajudado por elas...

    e a preguiça, bom eu carrego muito dela comigo, mas não ao ponto de querer virar mendigo... hehe

    era isso, manolo...

    abraço!

    Por Blogger Mr. Gomelli, às 25 de outubro de 2010 22:09  

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