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segunda-feira, 8 de março de 2010

Cada gaveta, um mundo (ou seria o contrário?)

Fazendo uma arrumação geral no meu quarto hoje, lembrei-me de um texto do Mário Prata onde ele acaba virando um armariozinho e vários fragmentos de sua vida são escancarados diante dos seus olhos. Certa vez já havia mencionado essa crônica e algo parecido, em algum texto longínquo, mas o fato é que muitas sombras do meu passado me acompanham e ressurgem das formas mais curiosas possíveis. Admito: várias delas foram parar no lixo hoje à tarde, pois, após o “troço” que tive, fiquei me questionando de que adianta guardar tantas coisas materiais apenas pela lembrança de algo que nunca mais vai voltar a ser como era?
Entre as bugigangas velhas, encontrei agendas antigas (desde 1994, por aí), carteirinhas de clubes de quando eu era criança (essas ainda guardei), vales assinados dos lanches que eu pegava quando ainda trabalhava na Rádio Jornal da Manhã de Ijuí, textos que julguei serem interessante na época, mas que hoje não me atraem em nada, do tipo, como os homens podem conviver com a TPM das mulheres, caderno de esporte do São Paulo campeão mundial após o jogo contra o Liverpool, jornais laboratórios de diversas universidades (alguns ainda guardei), textos e mais textos, provas do tempo da faculdade, xérox de todo o tipo de texto (acadêmico, literário, jornalístico), pilhas usadas, pacotes de camisinhas abertos e fechados, cartões de amor, juras de casamento e de paixão (os de ex-amores foram para o lixo), convites de formatura, de casamento, números de telefones misteriosos anotados em papeizinhos, extratos de bancos, comprovantes de depósitos, cobranças pagas e vencidas, canhoto de ingressos de teatro, futebol e cinema, folders de puteiros do tempo da faculdade, folhas e folhas de pagamento, ingresso falso de jogo do Grêmio, comprovante de fechamento de conta bancária, receita médica, remédios, cartelas com Drammim, potes de pomadas pela metade, canhoto de passagens de ônibus e de avião, pôster do Grêmio, do Corinthians, do Palmeiras, do Flamengo, do Campienense, do Linhares, roteiros turísticos, tabela de horários do metrô do Rio de 2005, mapa de Porto Alegre, enfim, tudo que se pode imaginar e mais um pouco estavam nas quatro gavetas de um de meus armários. Acho que enchi uns dois sacos de lixo, no entanto, acrescentei algumas inutilidades novas, como os dois adesivos do Esportivo que colei: um no guarda-roupa e outro no armário onde está parte de meus livros. Também fiquei pensando nisso: caraca, quanto livro eu já li na minha perra vida, e daí? Não lembro da metade das histórias, e se tivesse batido as botas, de que me adiantaria ter lido tanto, ter viajado tanto, ter festiado tanto, ter bebido tanto, ter amado tanto, ter me emocionado tanto, ter chorado tanto, ter sonhado tanto? Para onde iria (ou vai) tudo isso? Caraca...
Às vezes parece que está difícil recomeçar a vida depois do cagaço, e nesse mar de tudo, o apoio das vozes humanas e inumanas têm sido fundamental. Digo isso não apenas pelo susto, mas, como falei em textos mais antigos, vezemquando cansa você ir com toda a energia para um lugar, se encher de sonhos e esperanças, dar cabeçadas na parede, viver que nem cachorro, ir para outro lugar, correr atrás, ficar para trás, ir para mais um lugar, respirando fundo e acreditando, e no fim, ter que voltar e recomeçar tudo de novo, como se fosse do zero, como se tivesse terminado o Ensino Médio e tivesse 18 anos, enquanto outras pessoas e os seus sonhos dependem que as coisas andem... Como diria o Cazuza, vamos pedir piedade ao Sr. Piedade e seguir em frente...

5 Comentários:

  • Segue em frente que tu é foda!

    Agora tens amigos eternos em Bento Gonçalves e pode ter certeza, comida, cama e banho pra qdo quiser visitar.

    Abraço!

    PS: O Ritter é exímio apanhador de placas instigantes.

    Por Blogger Rocko, às 9 de março de 2010 às 06:29  

  • Ah, esqueci de te falar, minha mãe te deixou um grande abraço...

    Por Blogger Rocko, às 9 de março de 2010 às 06:30  

  • Sobre o texto Desgaste, desgaste, desgaste...

    "...Até um gol sofrido no vide-game nos nossos confrontos dos nossos raros momentos de folga me deixa com vontade de esganar meu oponente."

    Com certeza, não era eu (uahsuahushaua) não fazia gol NUNCA.

    Por Blogger Rocko, às 9 de março de 2010 às 07:01  

  • Porra alemao!

    Por Blogger Zaratustra, às 9 de março de 2010 às 07:48  

  • guriiiiiiiii vou te matar!!! tu jogou fora tuas agendasde criança???? aquilo eram pérolass do dudu hauhauahahua eh um mala mesmo...guri tu não quase morreuuuu, deixa de drama e vai num médico de fundamento...agora tu surtou de vez... vai fazer oq? ficar parado esperando a morte chegar decerto? óbvio que quando tu morre tu não vai levar junto teus livros, debilóide... hahahaha bjuss mano amado

    Por Blogger Carolina, às 9 de março de 2010 às 12:06  

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