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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Toma no cu

Bom, está certo, eu prometi outra vez que iria escrever aqui mais seguidamente... Mas se você lê esse blog, você já deve ter mais de 18 anos, e se você tem mais de 18 anos, você sabe que a vida, em grande parte, é feita de desilusões... Que caralho, como se alguém sonhasse em ler algum texto nesse blog fantasma... Enfim...
Como já comentei aqui outras vezes (ou não, não lembro, é tarde, o Grêmio empatou em casa, a patroa dormiu no dia dos namorados e já tomei uma garrafa de vinho e estou na terceira lata de Bohemia...) estou pesquisando na minha tese de doutorado o conceito de parrhesía (que a essas horas não lembro como escreve), que é um conceito da Grécia antiga, recuperado pelo Foucault, que, sinteticamente, significa a “fala franca”... ou seja, dizer a verdade, doa a quem doer.
Até iria dizer que não gosto de me gabar, etc e tal, mas pensando na minha própria tese, conclui: foda-se, pode ser pra se gabar ou não, o fato é que, analisando friamente, acho irônico o fato de eu estar indo para Nova York daqui a dois meses (claro, muita coisa pode acontecer: posso ter o visto negado, posso morrer, posso ter um surto, a Capes pode cancelar minha bolsa por algum motivo qualquer, posso não receber o DS2019, mas enfim, só de ter chegado até aqui, o troço já é irônico).... Explico-me:
Eu nunca liguei pra porra nenhuma de grana. E hoje, o pouco que ligo, não é por mim, mas pelo futuro da minha filha. Da minha parte, não quero nada. Inclusive, já falei pra patroa, que se um dia a gente se separar, ela pode ficar com tudo (que por enquanto é igual a nada, pois materialmente falando, não tenho nada). Enfim, acho muito tosco quando vejo o pessoal no Facebook postando foto de carro, casa, etc. É algo como: “veja, já que não tenho cérebro, tenho esse troço aqui!” Sou mais das idéias do que das cifras. Sou mais do espírito do que dos carros e casas. Sou mais do sexo do que do não-fazer-nada mas aparentar que está tudo bem. Sou mais do pau duro e da boceta molhada do que do pau brocha de um banqueiro filho da puta com uma boceta seca de uma secretária pirigueti. Prefiro carne com carne do que dinheiro no banco e pau mole nas calças. Prefiro estar feliz com os amigos bebendo cachaça com Coca-Cola sem gás na praça do centro de uma cidade do interior do que estar num restaurante chique, cheio da grana, mas com um tédio do cacete daquela gente chata e sem graça da porra. Prefiro ganhar um salário mínimo curtindo a vida do que ganhar dez salários sendo escravo da vida. Prefiro ficar a tarde inteira lendo um livro, entre uma cagada e outra e uma punheta depois do almoço, do que viver a vida inteira me cagando de medo de perder o meu emprego de mil-réis por mês, que não passa de uma masturbação de ego do meu chefe. E prefiro não ter sonho nenhum, do que me escravizar para quem sabe, um dia, chegar a ir para Nova York – o símbolo do consumismo brega-barato-clichê.
Por isso acho que tudo isso que está acontecendo comigo é muito irônico. Enquanto alguns querem ir para Nova York por glamour (e juntam anos de salários para ir pra lá tirar fotos no berço do capitalismo), eu vou para tentar conhecer o que há de pior na cidade. Não quero badalação, não quero lojas da Sony, não quero Times Square. Quero os loucos do Central Park, os esquilos dos arredores da NYU, os chicanos e porto-riquinhos que estão lá achando que estão levando uma vida melhor do que levariam em seus países pobres, mas animados... Quero a realidade, quero o sonho e a frustração. Quero o gozo e a brochada no frio e no calor. E quero postar muitas fotos no facebook pra mostrar para os filhos da puta gananciosos como eu cheguei lá, sem estar fazendo o que eles sonham em fazer lá. Não vou estar em NY comprando carros baratos e tecnologias de última ponta a preço de banana (ok, claro que vou, mas é uma conseqüência, não uma finalidade...). Vou estar lá procurando o que esses filhos da puta gananciosos nunca vão encontrar: a podre essência da alma humana que se concentra no centro do planeta de diferentes formas: esnobismo, exibicionismo, capitalismo, ideologias, utopias, ganâncias, orgias, putarias, aparências, mas tudo isso por trás de um ser humano que um dia vai parar sete palmos abaixo do solo como eu, como você, como o Lula e o Obama, etc, etc, etc.
Talvez não me fiz entender nem um pouco, ou talvez todos entendam o óbvio: mesmo sem querer, eu cheguei aonde os filhos da puta queriam estar. Ou, como diria o Martinho da Vila: “e quem quiser sem como eu, vai ter que penar um bocado! Um bom bocado, vai penar um bom bocado....”. E quem não gosta de samba, também vá se foder, porque essa letra do Martinho da Vila é mais Rock and Roll do que muito Nirvana!
Foda-se, a cuca fundiu, e a vontade de mijar venceu. Fui!
PS: a maior herança que posso deixar para a minha filha, são minhas ideias.

2 Comentários:

  • Como herança textos com este linguajar?? E tomou uma garrafa de vinho e 3 latas de cerveja? Vai te tratar!!! E queres ir a NY pra conhecer a marginália? Será que te trocaram na maternidade? Não foi este o exemplo que procuramos dar aos filhos.
    Retira este texto ultra mega negativo!!!

    Por Blogger Nara Miriam, às 23 de junho de 2013 07:00  

  • Nascer, viver e morrer é a lei natural da vida. Por isso não devemos deixar de fazer, ou fazer mais ou menos.
    Podes dizer que não precisas de dinheiro enquanto tens os pais para pedir, e, quando não tiver mais?
    E a propósito, quem são os filhos da puta?

    Nabuco.

    Por Blogger Nara Miriam, às 23 de junho de 2013 07:20  

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